Investimento em transformação digital visa facilitar processos de compra e pagamento. Em 2020, houve crescimento de 20%

Por Vitor da Costa

A pandemia da Covid-19 acelerou a adoção de soluções digitais pelo varejo, dando impulso às parcerias de start-ups e fintechs com o comércio. Segundo a última edição da pesquisa “Transformação Digital no Varejo Brasileiro”, da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo, o investimento em iniciativas do tipo cresceu 87% no país no ano passado.

As principais ferramentas para essa transformação foram as soluções de meios de pagamento (94%) e análises de dados no ambiente on-line (77%).

Como destacam Alejandro Padron e Helio Biagi, sócios do OasisLabb, ecossistema de inovação especializado em varejo, por causa da pandemia, em 2020 houve um avanço que só era esperado para os próximos cinco anos.

— A pandemia fez as empresas acelerarem as alternativas — diz Padron.

As parcerias, explica, ajudam os varejistas em três frentes: entrega das mercadorias, logística de pagamento e modo de oferecer os produtos.

É o caso da Logstore. Fundada em 2017 para acelerar a distribuição de mercadorias, a start-up decidiu migrar para o interior das lojas. Para isso, criou um aplicativo com tecnologia white label, isto é, que pode ser integrado aos apps e marcas dos parceiros.

Como app do estabelecimento, o consumidor lê um QR Code na loja, que mostra preços e promoções. Ao encontrar o que deseja, basta escanear o código de barras e informar a quantidade. O pagamento pode ser feito no app.

— Nossa proposta é possibilitar que o varejista aumente o número de transações sem mexer na infraestrutura — diz o CEO da Logstore, Helson Santos.

Entre seus clientes estão redes como Leroy Merlin e Hortifruti. A empresa espera crescer 50% neste ano.

Já a fintech PayFace desenvolveu uma tecnologia para identificação e para pagamento, que é incluída nos próprios apps dos varejistas.

Quando o consumidor se cadastra no app, ele cadastra seu rosto e meios de pagamento, que serão checados no caixa. Com o reconhecimento facial, ele pode pagar a compra sem o celular.

Segundo o CEO da PayFace, Eládio Isoppo, isso reduz o tempo da compra em 45 segundos. Até o fim do ano, a start-up pretende implementar a tecnologia, hoje usada em supermercados catarinenses e drogarias paulistas,em 15 varejistas de médio e grande porte.

Preocupação com dados

Na pandemia, a start-up OpaBox viu crescerem as parcerias com administradoras de shoppings, como a JHSF, do Cidade Jardim, em São Paulo. A OpaBox desenvolve marketplaces próprios para as varejistas, que podem ser personalizados.

— Nos marketplaces tradicionais, os shoppings não conseguiam auditar suas vendas. Com a pandemia, eles perceberam que precisavam de algo mais — conta André Buratto, CEO da OpaBox, que espera dobrar o faturamento este ano.

A maior parte dessas iniciativas, no entanto, envolve o compartilhamento de dados, o que pode afastar alguns clientes. Para o coordenador do núcleo de varejo e retail lab da ESPM, Ricardo Pastore, essa resistência deve diminuir graças à nova legislação:

— A Lei Geral de Proteção de Dados ajuda tanto o consumidor quanto o varejista. Ela disciplina o mercado.

Fonte: O Globo

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