Duas startups brasileiras avaliadas em pelo menos US$ 1 bilhão são crias do ecossistema de inovação do Paraná. É provável que esse número aumente em breve

Por Dauro Veras

Duas das 16 startups brasileiras avaliadas em pelo menos US$ 1 bilhão, as chamadas “unicórnios”, são crias do ecossistema de inovação de Curitiba. Pelo ritmo de maturação de outras empresas paranaenses de tecnologia, é provável que esse número aumente em breve. A mais recente ganhadora do apelido é a MadeiraMadeira, varejista digital de produtos para casa, que em janeiro recebeu US$ 190 milhões de um fundo de investimento liderado pelo Softbank e pela gestora Dynamo. Ela faz companhia à Ebanx, fintech que opera em 11 países da América Latina e emprega mil pessoas de 20 nacionalidades.

“Crescemos 40% no ano passado e temos planos arrojados”, diz a coordenadora de comunidade do Ebanx, Michele de Cerjat. A empresa, fundada em 2012, é uma das pioneiras da economia digital no Paraná. Sua trajetória beneficiou-se do ambiente de intercâmbio de ideias entre fundadores de startups e da fartura de mão de obra qualificada em bons cursos universitários. “Procuramos devolver a sorte para a comunidade em algumas frentes, como cultura, esportes, eventos e distribuição de bolsas de programação para mulheres em situação de vulnerabilidade social”, acrescenta.

Criada em 2009, a MadeiraMadeira cresceu dez vezes nos últimos cinco anos e dobrou de tamanho na pandemia. Para reforçar sua estratégia de omnicanalidade, a empresa montou uma operadora logística própria, a Bulky Log, e 14 centros de distribuição que abastecem suas 40 lojas no país. Cinco meses depois do aporte dos investidores, o número de empregados dobrou – hoje são 1,8 mil – e há 400 vagas abertas. A retribuição à comunidade também faz parte da cultura corporativa, por meio de mentorias, promoção de eventos de inovação e patrocínio a scale-ups, diz um dos fundadores, Daniel Scandian.

A Contabilizei, prestadora de serviços digitais de contabilidade a micro e pequenas empresas, é uma das cotadas a se tornar unicórnio. “Somos o maior escritório de contabilidade do Brasil”, diz seu diretor-presidente e fundador Vitor Torres. “Temos mais de 30 mil clientes em um mercado com 8 milhões de MPEs, que contribuem com 30% do PIB e geram metade da mão de obra formal.” A startup emprega 630 pessoas e tem cem vagas abertas em diversas cidades do país. Sua expansão ganhou força com o aporte de R$ 100 milhões dos fundos Kaszek, IFC, Quona Capital e Point72 Ventures, além de uma rodada de valor não divulgado com o Softbank.

Outra empresa prestes a entrar para o clube das bilionárias é a Olist, desenvolvedora de soluções para marketplaces nas áreas de vendas, logística e acesso a capital. No ano passado a startup lançou a Olist Shops, que permite criar uma loja de varejo on-line em apenas três minutos. A ferramenta digital já tem presença em 180 países e conta com 240 mil usuários, a metade deles no Brasil. No final de maio, a Olist atingiu a marca de mil empregados e seus diretores esperam triplicar a receita este ano. “Na próxima década, todo o comércio vai ser digital”, antevê o fundador Tiago Dalvi. “Tudo o que a gente está fazendo aqui é apenas o início da transformação.”

A Pipefy é outro provável unicórnio em um futuro próximo, avaliam analistas. A empresa curitibana nascida em 2015 cresceu com apoio do Sebrae/PR e da aceleradora californiana 500 Startups, que lhe abriu portas no mercado internacional. Sua plataforma para controle de gestão de negócios é adotada em 150 países por mais de 15 mil clientes, entre eles IBM, Coca-Cola, Vale, Itaú, Santander, Ambev e Pão de Açúcar. A startup já captou em torno de US$ 80 milhões e planeja contratar mais 150 funcionários este semestre, por meio de processo seletivo aberto a profissionais de todo o mundo.

Clientes que adotam soluções da Pipefy têm um aumento médio de 35% na produtividade, afirma o CEO e fundador Alessio Silva Alionço. Em 2021, a meta é direcionar 65% dos investimentos para os Estados Unidos. “As empresas americanas têm grande aceitação de nossa solução, porque lá o custo de mão de obra é alto e elas precisam buscar mais eficiência”, diz.

Fonte: Valor Econômico

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