Maioria das empresas está em estágio inicial de operação e apenas 17% já contam com fundos de seed ou venture capital

O Brasil já possui 227 startups de gestão de resíduos, segmento que inclui logística reversa e economia circular. É o maior contingente de negócios de impacto socioambiental, que somam 1.272 startups, conforme o 3º Mapa de Negócios de Impacto Socioambiental divulgado em 2021 pela Pipe.Social. A maioria das empresas desse nicho está em estágio inicial de operação (60% têm menos de cinco anos) e apenas 17% já foram investidas por fundos de seed ou venture capital. Mas, com o avanço da agenda ESG – de boas práticas ambientais, sociais e de governança – e a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), começam a atrair a atenção dos investidores.

“Esse nicho tem uma regulação por trás e a escalabilidade do negócio é mais viável por conta da demanda latente e reprimida de possíveis clientes (B2B ou municípios) que precisam de apoio para cumprir a PNRS”, diz Lívia Hollerbach, cofundadora da Pipe.Social e coordenadora do Mapa. “O interesse dos investidores é crescente e um dos quesitos que eles olham é a escalabilidade do negócio.”

Fundada em 2016 por Fábio Kestenbaum, a gestora de venture capital Positive Ventures já realizou oito investimentos em startups de base tecnológica no Brasil e nos EUA, de áreas como saúde, educação e economia circular – os cheques variaram de R$ 3 milhões a R$ 5 milhões em capital semente e série A. A gestora de impacto aposta em startups com soluções escaláveis e empreendedores movidos pelo propósito de resolver problemas sociais e ambientais.

Na vertical de economia circular, a Positive aportou capital semente na eureciclo, que desenvolveu uma plataforma para emissão de créditos de reciclagem. “A função social do venture capital não é apenas ser o capital que toma o risco de fomentar tecnologia e inovação, mas ajudar a resolver os grandes problemas socioambientais”, diz Kestenbaum. A gestora levantou recentemente um fundo de R$ 60 milhões com foco em startups latinas atentas aos desafios da emergência climática.

A MOV Investimentos já alocou R$ 56 milhões em seis startups latinas desde 2015, de áreas como preservação de florestas nativas e biodiversidade, educação, energias limpas e economia circular. A gestora de impacto investiu R$ 5 milhões na chilena TriCiclos, especializada na gestão de pontos de coleta seletiva com operações no Chile, Costa Rica e México. Com o investimento, o objetivo era trazer a startup ao Brasil para ajudar a equacionar dois problemas: o ambiental, dando destinação adequada às embalagens pós-consumo, e o social, gerando mais oportunidade de renda para os catadores.

No Brasil, a TriCiclos se posicionou como uma consultoria de economia circular aplicada para grandes empresas de bens de consumo e varejo. “A startup ajuda grandes empresas dessas áreas a reverem seus processos de produção e de uso de embalagens. No lugar de trabalhar no remédio, aposta na prevenção, fazendo com que menos materiais saiam para consumo”, diz o sócio da MOV, Martin Mitteldorf. Entre os clientes da startup estão Magalu, Raia Drogasil, Carrefour, Unilever e Coca-Cola. A gestora está estruturando um novo fundo de R$ 200 milhões e prevê novos investimentos em startups de economia circular.

O fortalecimento da agenda ESG tem aumentado também o apetite de investidores “tradicionais” por startups de impacto socioambiental. Em 2020, a Redpoint eventures, que já investiu em unicórnios como Rappi, Creditas e Gympass, fez um aporte série A na eureciclo. Com o investimento, já são quatro startups de impacto no portfólio, explica o sócio Romero Rodrigues, que incluem Tembici (mobilidade urbana), Repassa (moda circular) e Ribon (doações para causas sociais). “A Redpoint tem previsão de realizar outros investimentos neste setor, que é o que mais atrairá investimentos nos próximos anos”, diz.

Os investidores-anjo também começam a mirar startups de impacto socioambiental, diz Maria Rita Spina, diretora-executiva da Anjos do Brasil, que reúne 480 investidores. “O empreendedor consegue alinhar propósito com escalabilidade e modelo de negócios.”

Fonte: Valor Econômico

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