Inovação não tem fronteiras, mas mesmo assim a internacionalização não é um passo que tem que acontecer no tempo e medida certos

A internacionalização, uma das vocações das startups brasileiras, é um desafio que logo aparece para a maioria delas. É também um dos temas a serem debatidos no Congresso O2O Innovation Xperience, promovido pelo Instituto Startups. Já é grande a lista de países onde startups brasileiras estão abrindo filiais – China, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha. . . Essa internacionalização está acontecendo com base num princípio muito simples: inovação não tem fronteiras. Mesmo assim, não é um passo que possa ser dado a qualquer momento. Exige cuidados e deve acontecer no tempo e medidas certos. A DogHero, por exemplo, já fez isso. Fundada no Brasil em 2014, é uma plataforma que conecta donos de cães a pessoas que oferecem para eles hospedagem ou passeios. Ela expandiu sua operação para Argentina e México. O CEO da empresa, Eduardo Baer, conta que isso exigiu um ‘road map’.

“Foi importante termos um road map para entendermos que adaptações precisávamos fazer no produto e na organização”, acrescenta. O processo, relembra, começou com o mapeamento de todas as alterações, definição de responsabilidades e prazos para cada time. “Isso nos permitiu ter um lançamento relativamente rápido na Argentina”, afirma.

O sucesso dessa iniciativa rendeu a Baer tal quantidade de conhecimento, que ele agora tem dicas para as startups que um dia pretendem internacionalizar suas operações. “A primeira dica é manter o projeto e o processo o mais simples possível. Até porque as startups são modelos de negócio que exigem um alto grau de dedicação e, por conta disso, é fácil complicar os processos. Além disso, é importante ter claramente um líder que saiba priorizar as coisas.

A DogHero, segundo Baer, se vê como um player latino-americano, que hoje atua nos três principais mercados da região: Brasil, Argentina e México. “No momento, o foco tem sido fazer esses mercados crescerem. Há planos de lançar a DogHero em outros países, porém não a curto prazo”, explica.

No entanto, a partir do momento em que isso for decidido o início da operação pode ser rápido, diz o CEO. “Quando decidimos internacionalizar, a gente primeiro analisou qual era o mínimo de estrutura que precisávamos ter. Foi uma visão de médio a longo prazo bem importante em todo o processo. Do momento em que decidimos internacionalizar até a primeira transação levamos em torno de quatro meses”, revela.

O economista Wellington Galassi, country manager, head de internacionalização na Mango Ventures Brazil e Líder do Grupo de Estudos em Internacionalização de Negócios do Instituto Startups, observa que é importante desmistificar o termo internacionalização. “Para muitos empreendedores, isso significa apenas vender o produto ou serviço para algum mercado no exterior, ou seja, algo que vai ocorrer lá na frente, quando o negócio já está bem maduro e apenas no momento da efetivação da venda do produto para o mercado alvo. O que não está totalmente errado, mas acaba levando a muitos erros estratégicos na condução e no dia-a-dia do negócio”, observa.

“Quando o empreendedor se utiliza do termo internacionalização apenas para esta perspectiva, ele pode perder muitas oportunidades de negócios. Porque no dia-a-dia da operação todas as práticas, incluindo a modelagem de negócio e seu produto, estão adequados apenas ao mercado interno. Isso não apenas limita o tamanho do seu mercado de atuação, como também impede que a empresa ganhe escala”, alerta.

Ele lembra ser necessário levar em consideração que hoje, “em plena era do consumidor 4. 0, o significado do termo internacionalizar está se ampliando para uma expressão cada vez mais utilizada pelo ecossistema mundial de empreendedorismo e inovação. A expressão é Born Global. “Hoje”, diz Galassi, “essa expressão está inspirando a estratégia da condução do negócio como um todo”.

Isso irá abreviar etapas e encurtar o tempo para se chegar a outros mercados, mas exige bom planejamento. Galassi explica: “O empreendedor brasileiro não tem por hábito, mesmo durante o desenvolvimento e a modelagem de negócios, incluir como pauta de crescimento e escala trabalhar com estratégias e conceitos de internacionalização. Por que?”

As respostas, segundo ele, incluem a falta de conhecimento, que leva muitos empreendedores ao erro. “Faz com que lá na frente, quando decidam acessar mercados externos, percebam que devem readequar quase em sua totalidade o produto já que o possuem. Ou criar um produto específico para atender aos padrões internacionais e à regulação do país alvo, inviabilizando a operação”.

Outro problema para o qual ele chama a atenção é a burocracia. “Este é outro aspecto de impacto, principalmente nos pequenos empreendedores. É um susto quando eles encaram o tamanho da burocracia e exigências estabelecidas na legislação de comércio exterior brasileira, seja para exportar um produto ou serviço”.

E no item burocracia, diz Galassi, a legislação não diferencia pequenos e grandes empreendedores. “Ela é para todos. Com a diferença de que o impacto dela para o pequeno é muito maior do que para o grande – que possui um departamento e pessoas especializadas para assessorar no processo de internacionalização”.

Do ponto de vista do executivo não existe caminho fácil para o empreendedor. O melhor caminho, afirma, é planejamento estratégico, dentro do conceito de born global.

Fonte: Inovativos

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