O ano de 2020 foi um dos melhores períodos para investimentos em startups brasileiras, e tendência deve continuar em 2021

Por Maria Clara Dias

A escalada no número de recentes unicórnios, a fila de IPOs na bolsa e o aumento no número de fundos de venture capital e injeções de capital em startups colocam o Brasil em um patamar inovativo como nunca visto antes. É nisso que acredita Lívia Brando, gerente nacional da Wayra, hub de inovação aberta da Vivo no Brasil e da Telefónica no mundo.

Para Brando, o ecossistema de inovação brasileiro vive um momento positivo e que deve ser ainda mais explorado, principalmente pelas grandes empresas. “Vimos um dos melhores anos em termos de investimentos, aquisições e desempenho”, disse a executiva, em entrevista à EXAME.

O cenário atual mostra que investimentos de risco, como o venture capital, se tornaram ainda mais atrativos, segundo Brando. “O Brasil está muito mais maduro do que estava há cinco anos atrás. Não tínhamos tantos unicórnios ou destaque internacional. Hoje, temos filas para IPOs e disputamos com todo o mercado global páreo a páreo”, diz.

Globalmente, a Wayra comemora sua primeira década em 2021, marcada pela mudança de posicionamento de uma aceleradora para um hub de inovação aberta e fundo de Corporate Venture Capital, o que significa que, de capital intelectual, a Wayra também passou a aportar maior volume financeiro nas empresas de seu portfólio e a manter as soluções destas pequenas empresas no mapa de atuação de negócios da Vivo.

O hub chegou ao Brasil em 2012, e desde então, acelerou e investiu cerca de 19 milhões de reais em 79 startups e, atualmente, 47% das startups do portfólio já fazem negócios com a Vivo. O tempo médio de permanência das startups na carteira é de até 5 anos – o tempo ideal para a conclusão de um “ciclo completo”, que vai da capacitação ao exit, segundo Brando.

O bom momento e a mudança de postura da Wayra também refletem no capital investido pelo hub em cada uma das companhias. De oito anos para cá, o montante saltou de 100.000 reais para 1,5 milhão de reais por startup.

As startups alvo também mudaram, deixando de ser apenas companhias com potencial de crescimento e escala, para se tornarem empresas com capacidade de geração de negócios diretos com a Vivo. “Há alguns anos, nosso objetivo era aumentar o número de startups no ecossistema brasileiro e ajudá-las a superar o vale da morte. Hoje, olhamos para empresas mais maduras e que tenham fit conosco”, diz.

Mudanças com a pandemia

Com a pandemia, houve também uma aceleração no passo da transformação digital. Algumas áreas ganharam destaque na agenda do hub de inovação, que passou a procurar por empresas que tenham soluções em mobilidade, IoT, saúde e educação – especialmente a formação de profissionais para suprir o gap na mão de obra tecnológica do país. “A Vivo tem um plano de novos negócios que olha para isso. A missão é encontrar startups que ajudem a empresa a cumprir com o propósito que ela assumiu, que é unir pessoas e conhecimento”, disse.

No ano passado, a Wayra  investiu na startup de educação Alicerce, que agora faz parte da lista de mais de 30 startups brasileiras que compõem o portfólio do hub. Juntas, elas valem mais de 1 bilhão de reais, segundo Brando. Também em 2020, a Wayra concluiu importantes ciclos de investimentos com exits de grande porte, como o da Social Miner, startup que fazia parte da carteira da Wayra e que foi comprada pela Locaweb por 22,2 milhões de reais.

Para este ano, a Wayra prevê uma valorização ainda maior das investidas e novas saídas milionárias. “Ao que tudo indica, teremos um 2021 ainda melhor. Estamos com apetite para isso”, diz.

Fonte: Exame

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