Plataforma de inteligência de dados e busca inteligente para e-commerce usa IA e viabiliza buscas por voz e por leitura de imagens

A SmartHint é mais uma daquelas peças de quebra-cabeça que podem ajudar a montar um jogo com perfeição. Pelo menos é assim que a startup de tecnologia foi vista pela gigante do varejo Magazine Luiza, que anunciou no início do mês a aquisição da empresa como esforço adicional para se tornar um SuperApp de serviços digitais.

A intenção da varejista é clara: tornar-se um superaplicativo com soluções diversas e onde usuários podem encontrar todos os tipos de serviços, a poucos cliques de distância. E nesse cenário, a SmarHint pode ajudar. O resultado positivo da aquisição foi imediato: Magalu teve um salto de 8% das ações na Bolsa após anunciar a nova compra.

Fundada em 2017, na cidade de Curitiba, pelos empreendedores Rodrigo Schiavini e Marlon Korzune, a SmartHint é uma plataforma de inteligência de dados e busca inteligente para o e-commerce. Com um motor de buscas que muito se assemelha ao Google, a tecnologia da SmartHint promete ajudar compradores a serem mais assertivos na procura por produtos em sites e aplicativos. O diferencial, porém, está no uso da inteligência artificial, que permite ao usuário encontrar um produto, mesmo que tenha digitado o nome do item incorretamente.

Com a ferramenta, a busca por voz e por leitura de imagens também são possíveis, além do recurso de ter a sua busca refinada à medida em que completa a palavra digitada. A eficiência de dados para recomendação de produtos e acessibilidade são, inclusive, as grandes apostas da SmartHint para conquistar uma parcela cada vez maior no mercado.

Ao permitir que um comprador possa cometer erros ao digitar, falar o nome de um produto ou achá-lo com uma simples imagem, também há espaço para que diferentes classes sociais e faixas etárias tenham acesso ao mundo digital. “Tentamos fazer o básico. Entendemos que a somatória desses mecanismos e fatores tecnológicos dá ao comprador as condições de trazer o produto para a casa dele. A aproximação é a palavra-chave”, conta Rodrigo Schiavini, CEO da SmartHint. “Queremos deixar cada vez mais próxima a relação entre ser humano e máquina, fazendo com que a máquina seja o mais humanizada possível”, diz.

Além da agilidade, o grande diferencial da SmartHint – que atraiu a gigante varejista – está na facilidade de acesso. O mindset de simplificação para levar a tecnologia de forma rápida direto ao consumidor é o grande diferencial competitivo da startup, segundo Schiavini.

“Desde o início, entendemos que tínhamos de ser simples”, disse. “Nunca pensamos no varejista, mas nosso foco sempre foi o consumidor final”, diz. A consequência do valor criado para esses clientes é o que de fato atrai os varejistas e mantém o uso da plataforma de maneira constante.

Parte do compromisso da acessibilidade também esbarra na personalização. Como de praxe entre plataformas de inteligência artificial, a tecnologia se torna um recurso valioso na hora de adaptar plataformas para o gosto e comportamento de cada usuário, sugerindo novos produtos e categorias. A estratégia se resume, portanto, na tríade tecnológica composta por machine learning, visão computacional e processamento de linguagem.

Apesar do recente resultado de sucesso, a SmartHint não foi a primeira aposta de Schiavini. Em 2016, o empreendedor vendeu uma outra empresa de varejo digital para a Tray Commerce, que foi posteriormente comprada pela Locaweb. O valor da transação não foi divulgado ao mercado. “Existem muitas plataformas de comércio eletrônico e não percebemos que não íamos conseguir nos diferenciar”, falou.

Hoje, a SmartHint atende 1.100 clientes e suas ferramentas geraram R$ 620 milhões em vendas, segundo a empresa. Seu portfólio conta com nomes de peso como as marcas Diesel, Philco, Lego e mais recentemente, o Magazine Luiza.

Futuro

Para o futuro, a startup, que manterá a atuação, sede e equipe independentes, não quer se restringir aos serviços oferecidos ao Magalu. Segundo Schiavini, a ferramenta de buscas e recomendações também fará parte do pacote de soluções do Magalu para empresas. Schiavini acredita que será possível que retornem uma estratégia de planos gratuitos para pequenas empresas – a estratégia já havia sido adotada no passado e foi abandonada diante de outras prioridades.

Com a aquisição, a expectativa é que a SmartHint cresça 100% no faturamento em 2021 – a empresa não divulga o resultado do ano anterior. Também aproveitando o momento atual, chegarão ao menos 10 novos programadores no time para dar conta da nova demanda de tecnologia que surge com a entrada de uma grande empresa no portfólio. Com isso, a equipe deve chegar aos 50 colaboradores até o final do ano.

No radar, estão também possíveis melhorias de ferramentas já existentes e a criação de novos recursos. Um deles será baseado na pesquisa de itens por meio de fotos tiradas em tempo real, que poderá ser usado para encontrar roupas, peças de carro, brinquedos, entre outros.

“Imagine que você está assistindo ao Big Brother, por exemplo, e vê um participante usando uma roupa que você quer. Você tira uma foto e faz o upload dessa imagem no site daquela marca de vestuário e encontra aquele item, em tempo real e antes de perder a chance dele sair da TV”, explica o CEO.

Com DNA regional, Schiavini destaca a importância do ecossistema de inovação da região Sul do país. Para ele, há muita integração e inovação entre diferentes players, que contribuem para a ascensão de empresas nascidas em cidades como Curitiba e Porto Alegre, por exemplo. “É impressionante o quanto uma empresa pode ajudar a outra. Temos dores similares”, diz Schiavi, quando perguntado sobre manter diálogo ativo com empresas inovadoras sulistas, e até mesmo unicórnios como a MadeiraMadeira.

Inovação nas gigantes

A SmarthHint foi a quinta aquisição do Magalu apenas em 2021. Anteriormente, foram adquiridas a VipCommerce, plataforma de supermercados; a ToNoLucro, de delivery de alimentos; a GrandChef e o site de moda Steal The Look. Na última quarta-feira (14), a empresa também anunciou a sexta aquisição do ano. Trata-se da empresa de conteúdo voltado ao público nerd e geek, a Jovem Nerd. Em um ano e meio, o total de empresas compradas é de 21.

Não podemos esquecer do precedente de que, à semelhança dos ecossistemas chineses – atuais líderes mundiais em compras e vendas online – o Magalu quer se distanciar do conceito de varejista e se aproximar cada vez mais da definição como um ecossistema de pagamentos completo. Com a compra da fintech Hub em dezembro do ano passado, esse desejo se tornou ainda mais latente. Foram R$290 milhões de reais desembolsados para a aquisição da fintech e, consequentemente, de novas soluções para pagamentos digitais.

Neste ponto, as histórias da SmartHint e Magalu também se cruzam. Schiavini conta que a inspiração para fundar a startup veio de empresas gigantes do comércio eletrônico, como a Amazon e também a chinesa Alibaba. As aquisições desenfreadas são uma aposta que tem dado certo para o Magalu, que não pretende parar por aí.

“Não é integração de empresas, é conexão. (…) E a forma de conexão é o nosso aplicativo. Vemos que com essa estratégia o app se torna mais relevante. É mais um motivo para o usuário continuar com o app baixado, navegar e comprar”, explicou Eduardo Benjamin Galanternick, vice-presidente de negócios da Magazine Luiza em coletiva de imprensa sobre a aquisição mais recente.

Fonte: Gazeta do Povo

 

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