Empreendedor vê que hoje empresas estão mais bem preparadas para a jornada e focadas em solucionar problemas dos clientes

Brian Requarth é parte de uma geração de empreendedores estrangeiros que explorou o incipiente mercado latino-americano de startups há mais de uma década. Criador da imobiliária digital Viva Real, que agora faz parte do Grupo Zap, o norte-americano diz que vê os founders hoje em dia mais bem preparados para a jornada e os desafios que a ela são intrínsecos.

“Éramos uma rede bastante próxima, principalmente porque éramos outsiders — tanto no sentido de vir de outro país, quanto de estar começando algo novo”, conta Brian. “Naquela época, o que acontecia era majoritariamente a importação de ideias que funcionaram lá fora e poderiam dar certo no Brasil, por exemplo. O que estamos vendo agora é uma onda de empreendedores brasileiros que estão resolvendo problemas locais com soluções desenvolvidas dentro do país

Além de empreendedor, Brian atua hoje como investidor no fundo Latitud, em que é sócio, focado em financiar projetos inovadores na América Latina. Em 2021, ele lançou o livro “Viva The Entrepreneur”, que alcançou o primeiro lugar em vendas da Amazon. “Colocar no papel os erros que cometi e as lições que aprendi ao longo dos desafios foi o que deu origem a tudo. Essa foi a maneira como concebi o livro: uma linha do tempo de erros”, explica.

Em entrevista exclusiva à The Shift, o empreendedor revela as motivações que o levaram a escrever um livro sobre o mercado latino-americano e indica as tendências para o futuro do ecossistema: “daqui a uma década, as dez empresas mais valiosas do Brasil serão empresas de tecnologia. É só olhar para o que está acontecendo na China para ver o futuro da América Latina. A economia de escala das companhias de tech é inatingível se comparada a uma empresa analógica”.

“Disrupção é…

“Algo que acontece quando há uma oportunidade contraintuitiva — o que alguns chamariam de ‘loucura’ — e quem a persegue é alguém sem medo de fracassar. Uma das coisas mais importantes sobre disrupção é que é um processo de longo prazo com inúmeras consequências. Ela não acontece da noite para o dia. Mercados e indústrias são disruptados lenta e gradativamente. É algo para que se trabalha um degrau após o outro, sempre com uma visão de longo-prazo que é transformadora.

As pessoas tendem a pensar em disrupção como uma revolução, quando na verdade é uma evolução.

Todo setor da economia será transformado de forma dramática nos próximos anos. Daqui a uma década, as dez empresas mais valiosas do Brasil serão empresas de tecnologia. É só olhar para o que está acontecendo na China para ver o futuro da América Latina. A economia de escala das companhias de tech é inatingível se comparada a uma empresa analógica.

Outro ponto que está no radar para o futuro é a proliferação de microfundos de investimento geridos por empreendedores, investidores-anjo e executivos de grandes empresas, para realizar aportes em startups. O mercado de capital vai ficar mais distribuído e haverá mais opções de captação para além dos grandes investidores de VC. Esses fundos serão setoriais, de acordo com a expertise daquele profissional que está gerindo o patrimônio.

Imagine um engenheiro de dados que está no Nubank desde o início: suas ações já podem estar valendo alguns milhões. Em breve, ele vai criar um microfundo para investir em startups early stage que atuem com data analytics para o mercado financeiro. Este investidor, além do capital, terá uma experiência enorme para ajudar a alavancar a startup. Isso se tornará cada vez mais comum: operadores por natureza serão investidores do futuro. Assim como eu, após empreender e criar a VivaReal, me tornei um dos investidores do Quinto Andar.

Sou de uma geração de empreendedores estrangeiros que ajudou a construir o ecossistema de inovação na América Latina há uma década.

Éramos uma rede bastante próxima, principalmente porque éramos outsiders — tanto no sentido de vir de outro país, quanto de estar começando algo novo. Naquela época, o que acontecia era majoritariamente a importação de ideias que funcionaram lá fora e poderiam dar certo no Brasil, por exemplo. O que estamos vendo agora é uma onda de empreendedores brasileiros que estão resolvendo problemas locais com soluções desenvolvidas dentro do país.

Hoje, o empreendedor latino-americano tem um ecossistema mais forte. Há muito mais informação disponível, uma rede de investidores mais ampla. De forma geral, os fundadores são melhores do que no passado porque estão mais bem preparados. Não quero ser aquele velho que fala ‘no meu tempo era muito mais difícil’, mas vamos dizer que em 2011 seria impossível encontrar um bom Product Manager porque Product Manager nem era uma profissão no Brasil.

Vivemos agora um momento bem melhor para empreender: continuam existindo infinitos problemas para se resolver, mas há muito mais capital na mesa.

Ao longo da jornada empreendedora, por diversas vezes eu pensei: ‘como eu gostaria que alguém tivesse me contado isso antes!’. Havia muita coisa sobre empreender que eu não sabia e tampouco tinha as ferramentas necessárias para aprender. Isto me fez perceber que deveria passar adiante a minha experiência.

Comecei, então, a tomar notas em todas as etapas da jornada. Essa prática se iniciou por volta de 2011. Colocar no papel os erros que cometi e as lições que aprendi ao longo dos desafios foi o que deu origem a tudo. Essa foi a maneira como concebi o livro: uma linha do tempo de erros.

Quero que o empreendedor não cometa os mesmos erros que eu cometi, para que ele possa cometer apenas os próprios erros.

O que as pessoas vão tirar do livro? Acho que vai variar muito de acordo com o estágio de evolução da startup daquele empreendedor. Para os fundadores mais recentes, espero promover coragem. Para quem está em fase de escala, há dicas valiosas sobre como levantar capital de forma mais inteligente. Estou muito feliz com o feedback até agora, e em uma semana a obra alcançou o primeiro lugar entre os mais vendidos da Amazon nos Estados Unidos. Isso mostra a força do ecossistema empreendedor brasileiro, que comprou mesmo antes de sair a versão em português. 

Escrever um livro é igual a desenvolver um produto.

Você tem que olhar para o seu cliente, que é o leitor. Não importa o que eu acredito que eles devem comprar, ou o que eu acho que eles precisam aprender com a leitura. Pelo contrário: o público é quem vai definir qual é o valor que está ali dentro”.

Fonte: The Shift

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