Recursos serão destinados a ampliar as estruturas físicas e capacidade tecnológica, para cobrir 100% do país até o fim do ano

Por Raquel Brandão

A startup de logística Loggi, uma das maiores empresas do setor no país, realizou a captação de R$ 1,15 bilhão em sua sétima rodada de investimentos, a maior desde 2013, quando a companhia de entrega de encomendas começou a operar. Quase a totalidade dos recursos será destinada a ampliar as estruturas físicas e sua capacidade tecnológica, para alcançar a cobertura de 100% da população brasileira ao fim de 2021. Hoje, segundo a empresa, o serviço cobre uma área onde está presente 59% da população.

A nova rodada foi liderada pela CapSur Capital, fundo especializado em empresas de tecnologia e também teve participação de um fundo da Verde Asset, além de investidores que já haviam apostado na empresa, como Monashees, Softbank, GGV, Microsoft e Sunley House. Até então, a Loggi já havia levantado R$ 900 milhões em investimentos, tendo entrado em 2019 para o grupo dos unicórnios brasileiros, startups avaliadas em pelo menos US$ 1 bilhão. Embora não divulgue seu valor de mercado, com o novo aporte a Loggi fica mais perto dos US$ 2 bilhões, diz Thibaud Lecouyer, diretor financeiro da Loggi.

Dos recursos levantados agora, 55% devem ser destinados a investimentos em infraestrutura e cerca de 25% em tecnologia, afirma Lecouyer. Em 2020, a companhia anunciou investimentos de pelo menos R$ 600 milhões até o fim de 2022 em tecnologia e inovação. O objetivo, nesta frente, é aumentar a equipe de pesquisa e desenvolvimento, conta o executivo. “Não queremos contratar um software. Não existe um sistema tão avançado quanto o nosso, então vamos continuar a construir um sistema dentro de casa, adaptado ao nosso negócio”, diz o executivo.

Já em infraestrutura, o dinheiro vai para novos centros de triagem de encomendas. Em 2020, seis novos centros foram abertos, somando-se ao de São Paulo. A meta para 2021 é abrir outros sete, um deles de grandes proporções próximo à capital paulista.

A ideia de levantar mais recursos para esses planos surgiu em agosto do ano passado e todo o processo durou cerca de três meses. “Nós tínhamos US$ 100 milhões em caixa, não precisávamos de dinheiro. Mas olhamos outros países com experiência similar.” Ele cita a China, onde as empresas de entrega que investiram massivamente em tecnologia, automação e capacidade lideraram a retomada após o pico da pandemia.

O executivo afirma que a velocidade para levantar os recursos e o interesse de investidores em colocar mais dinheiro (75% dos investidores anteriores à rodada quiseram integrar o novo aporte) mostram que a empresa não tem dificuldade para se capitalizar, o que também aponta como uma das respostas por não optarem por uma abertura de capital neste momento. “Nós queremos nos preparar bem para um IPO grande. Mas temos tanto a nos concentrar internamente, que não queríamos desconcentrar uma parte da companhia para uma abertura de capital.”

No começo deste ano, o sistema da Loggi, que reúne entregadores autônomos, chegou ao patamar de mais de 350 mil pacotes entregues por dia. Um ano antes, período pré-pandemia no país, eram menos de 100 mil pacotes diários. A receita em 2020 cresceu 125%, segundo a empresa, mas o resultado não é divulgado.

Com a concorrência crescendo, Lacouyer afirma que a Loggi segue apostando na entrega expressa — no mesmo dia ou até 48 horas para encomendas de até 30 kg. “Tem quem queira se verticalizar e fazer de tudo, inclusive alguns dos nossos clientes. Mas já vimos que a verticalização raramente passa dos 50%, porque não conseguem diluir os custos como nós. Então, o importante é focarmos no que fazemos. Nosso único risco [de perder mercado] é de execução nossa.”

Fonte: Valor Econômico

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