Start-ups com crescimento bilionário estão entre os temas do Wired Conference, encontro de inovação que acontece nesta terça

Por Bruno Rosa

A busca de fundos de investimento e grandes corporações por inovação vai quase dobrar o número de unicórnios brasileiros ao longo deste ano. A previsão é que o total de start-ups privadas avaliadas em pelo menos US$ 1 bilhão — os chamados unicórnios — passe de 12 para 20 neste ano, de acordo com Gustavo Araujo, presidente do Distrito, uma das principais plataformas de inovação do país.

A ascensão de unicórnios no país será um dos temas do Wired Conference 2021: A era da inovação. Realização do jornal O GLOBO e Edições Globo Condé Nast, com patrocínio da Qualicorp e apoio da BMW, o evento vai debater tendências do mundo pós-pandemia.

O encontro será on-line e gratuito, na terça-feira, a partir das 9h30m. Participam especialistas em ciência, tecnologia e mercado, como o médico Drauzio Varella, a cantora Teresa Cristina e os chefs João Diamante e Jefferson Rueda. Veja como assistir ao evento no quadro ao lado.

 

Segundo Araujo, o ano de 2021 está aquecido. Ele projeta investimentos de pelo menos US$ 5 bilhões em start-ups no período. O valor é 42% superior aos US$ 3,5 bilhões registrados em 2020. Para ele, o maior apetite de investidores internacionais vem acompanhado do interesse em soluções de diferentes setores, como o de varejo on-line, saúde e logística, além do financeiro.

— O fato de a Wired [tradicional publicação de inovação e tecnologia sediada na Califórnia] estar presente no Brasil só reforça a importância que nosso ecossistema está ganhando no cenário global, ao mesmo tempo que fomenta o desenvolvimento de negócios.

Ao citar novos unicórnios como a VTEX, uma plataforma de e-commerce, e a MadeiraMadeira, site especializado na venda de material de construção e móveis, Araujo lembra que há novos candidatos para 2021, como o Dr. Consulta, de telemedicina, e o Olist, marketplace para outros sites.

Rodada de investimentos

— Foram operações que tiveram rodadas de negócios bem-sucedidas recentemente. Há ainda a CargoX, um marketplace de frete que pode se tornar um unicórnio em uma nova rodada de investimentos. Tem ainda a Pipefy, de gestão de projetos — enumera.

Esse cenário é reflexo do recente avanço acentuado do comércio eletrônico no Brasil. Em 2020, por conta da crise gerada pela pandemia do coronavírus, o número de novas lojas na internet registrou alta de 50%, mesmo patamar de crescimento dos aplicativos de delivery de comida.

Outra aposta é a mobilidade. Ele destaca a Tembici, de bicicletas, presente em diversas cidades do Brasil, além de outros países. Chegam com força ainda as chamadas foodtechs, que oferecem opções vegetais para substituir proteínas animais, a exemplo da Fazenda Futuro, fundada em 2019. O setor imobiliário também está no radar.

— A adoção de tecnologia na América Latina está acelerada. Assim, é natural que a empresa com serviços e produtos de base tecnológica cresça mais rápido — justifica o executivo

Araujo destaca que os fundos de venture capital (capital de risco) têm aumentado a aposta na região. Sequoia, Softbank e Andreessen Horowitz, que ajudaram a impulsionar Google e Apple, estão entres eles.

— Eles estão chegando agora com mais força e vieram para participar da transformação digital nesta década. A ideia é que eles façam o mesmo movimento que ocorreu nos EUA e na China na década passada, quando investiram em companhias de tecnologia — diz Araujo.

Segundo ele, esse movimento já começou. Um indício é o crescimento de 77% no volume de investimento em start-ups em janeiro e fevereiro deste ano em relação ao mesmo período de 2020.

— Claro que tudo depende da macroeconomia, da taxa de juros baixa. Isso vai permitir investir na economia real, que são as start-ups. É importante ainda ter o controle da inflação e o auxílio emergencial — defende.

Aquisições devem crescer em 2021

Além dos fundos internacionais, Araujo cita investidores brasileiros, como famílias tradicionais que estão direcionando recursos do setor imobiliário e agronegócios para soluções em tecnologia. Outra tendência são aquisições de start-ups por grandes empresas, o que deve chegar a 250 em 2021.

Com 200 funcionários, o Distrito, do qual Araujo é CEO, tem um dos maiores programas de aceleração do país em parceria com grandes companhias, com previsão de dobrar seu alcance este ano. A empresa também investe em start-ups. Já foram 25, com aportes de até R$ 1 milhão.

Fonte: O Globo

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