Os anos 2020 começaram num ritmo de reviravolta completa no mundo. A pandemia mudou o jeito de uma pessoa interagir com a outra, de estar num ambiente de trabalho, de cuidar do corpo (e do outro) e de curtir a vida. Até agora, a década tem sido para lá de “disruptiva”, um aportuguesamento do verbo em inglês para o ato de perturbar (to disrupt) e que virou um dos jargões mais comuns entre empreendedores. Afinal, toda startup almeja (ou deveria almejar), algum dia, mudar radicalmente a forma de ganhar dinheiro nos setores em que atua — ou mesmo criar mercados em que tem vantagens sobre os concorrentes.

Com o cotidiano de pernas para o ar mesmo com a chegada de uma vacina, a vida nos anos 2020 trouxe uma série de dificuldades, mas também uma leva de oportunidades para empreendedores que, munidos de boas ideias e uma dose de sagacidade, estão dispostos a desbravar. Esta edição da EXAME, a primeira com o especial “50 startups que mudam o Brasil”, propõe realçar as histórias de um grupo de empreendedores com potencial de crescer rapidamente ao longo desta década, unindo inovação com impacto social.

Para chegar à lista das 50 empresas, a EXAME ouviu cinco especialistas no ecossistema empreendedor brasileiro, entre gestores de fundos e conselheiros de empresas de tecnologia (veja abaixo).

Além disso, a lista foi complementada com sugestões de jornalistas e profissionais da EXAME com expertise em negócios de tecnologia, como Victor Gatti, head de finance da EXAME que, no currículo, acumula passagens por fundos de venture capital, e teve a curadoria dos editores Leo Branco e Filipe Serrano.

As empresas foram divididas em 14 categorias, de acordo com os mercados de atuação de cada uma. As histórias nas próximas páginas mostram de onde vieram esses negócios, quais foram as conquistas até aqui e os motivos para acreditar que o futuro deles é promissor nos anos 2020.

 


1 [Indústria] – Prosumir

O QUE FAZ: turbinas que geram energia dentro do processo produtivo de fábricas
POR QUE DEVE CRESCER: pelo menos 70.000 empresas que utilizam sistemas a vapor no Brasil podem ter ganhos energéticos

Sem inovação, as chances de sobrevivência de uma empresa são pequenas. E a busca pelo diferencial precisa ser constante. Foi assim que o engenheiro mecânico Júlio Vieira se lançou no empreendedorismo e, depois de algumas experiências frustradas, fundou a Prosumir.

A startup de Cachoeirinha, no Rio Grande do Sul, desenvolve turbinas sob medida para reduzir a pressão em indústrias que utilizam sistemas a vapor (por exemplo, o setor alimentício). A turbina ainda transforma o vapor em energia. O primeiro equipamento vendido foi para a Ambev, em um projeto capaz de gerar energia suficiente para 1.400 residências em um ano.

“Depois de fechar minha primeira empresa, percebi que precisava de foco para o futuro. Foi aí que me interessei pela inovação”, diz Vieira. Hoje a startup atende só grandes indústrias, mas o plano é criar turbinas para pequenas e médias. Para 2021, a projeção é crecer mais de 100%. JULIANA ESTIGARRÍBIA


2 [Indústria] – Nanogreen

O QUE FAZ: desenvolve nanopartículas que podem ser usadas na indústria ou em laboratórios de pesquisa
POR QUE DEVE CRESCER: nanotecnologia é uma das áreas mais promissoras da indústria

Se pegarmos uma régua e dividirmos cada milímetro em 1 milhão de partes teremos um nanômetro. A medida está completamente fora da escala de percepção humana, mas “objetos” medidos nessas dimensões estão mais perto do que se imagina. Esses micropedaços de materiais como ouro, zinco e prata são utilizados em ações microscópicas. Nanopartículas de prata, por exemplo, formam tecidos mais resistentes e à prova de micróbios — ajudando, assim, a indústria têxtil a ganhar valor.

O lado ruim disso tudo é que essa tecnologia raramente é limpa — materiais químicos pesados são usados na quebra dessas partículas. Os pesquisadores Moisés Teixeira e Edson Santos, de Joinville, em Santa Catarina, perceberam que era possível gerar nanopartículas sustentáveis ao utilizar um laser que dispensa o uso de solventes químicos. Dali, surgiu o embrião da Nanogreen, uma startup de nanotecnologia com apelo verde.

“A ideia aqui é criar nanopartículas com menos material do que no sistema convencional”, diz Teixeira. Para ganhar mercado, a Nanogreen oferece seus produtos em parceria com outra empresa que produz nanopartículas. Assim, consegue se apresentar a novos clientes — normalmente centros de pesquisa e indústrias de tecnologia pesada. A nanotecnologia é uma das áreas mais promissoras da indústria. As receitas de negócios com essas partículas crescem 10% ao ano e devem chegar a 2 bilhões de dólares em 2025. VICTOR SENA

 


3 [Saúde] – Sanar

O QUE FAZ: plataforma de educação online para médicos
POR QUE DEVE CRESCER: a demanda por soluções digitais para a saúde seguirá em alta

Esqueça os livros pesados. A educação pode ser mais leve e digital. É nisso que acreditam os fundadores da edtech baiana Sanar, criada em Salvador em 2014 por Ubiraci Mercês, Maurício Lima, Leandro Lima e Caio Nunes.

Seu primeiro produto foi o SanarFlix, plataforma com vídeos de reforço para estudantes de medicina. Hoje, 63.000 alunos são clientes do serviço. Mas a Sanar não se restringe aos estudantes. A ideia é estar em todas as fases da vida do médico. “A nova geração é diferente. Os médicos são ativos nas redes sociais e gostam de consumir conteúdos online”, diz Mercês.

A empresa tem ainda o serviço Sanar Books, que dá acesso a livros de medicina. Aos recém-formados, a startup oferece uma preparação para provas de residência. Para os veteranos, há o Yellow, enciclopédia online sobre protocolos médicos.

Em abril de 2020, a Sanar levantou 60 milhões de reais de investidores. Com o cheque, a empresa expandiu a atuação e hoje oferece microcrédito para estudantes e um serviço de contabilidade para médicos. A empresa dobrou o faturamento em 2020 e espera repetir o feito neste ano. CAROLINA INGIZZA


4 [Agricultura] – ReNature

O QUE FAZ: sistemas de agricultura regenerativa, sem agrotóxicos
POR QUE DEVE CRESCER: a demanda por alimentos orgânicos vai impulsionar novos modelos de cultivo

É possível alimentar o mundo sem agrotóxicos? Se um dia isso for realidade, a agricultura regenerativa será a responsável. Cunhado nos Estados Unidos, o termo se refere à técnica de recuperar ambientes degradados aplicando técnicas de produção menos invasivas e sem defensivos agrícolas.

Usado em empresas como Danone e Natura, o método reduz o uso de água em 60% e aumenta a produtividade em 20%, em média. Para o sistema decolar, faltam bons projetos, diz Felipe Vilela, fundador da ReNature, uma startup binacional (o outro fundador é da Holanda) que atua na consultoria a agricultores interessados no modelo.

“Por ser adaptável a mudanças climáticas, o sistema regenerativo deve ficar mais atrativo”, diz Vilela. Em 2020, a ReNature levantou 3,6 milhões de reais de investidores e quer regenerar 1 milhão de hectares até 2030. RODRIGO CAETANO


5 [Educação] – Trybe

O QUE FAZ: oferece cursos de desenvolvimento de softwares
POR QUE DEVE CRESCER: a demanda por profissionais de TI crescerá mais e mais

Fundada em 2019, a Trybe poderia ser uma escola de desenvolvedores como outra qualquer. Mas o que atrai os alunos — e os investidores — é o modelo de negócios. Em um dos planos oferecidos, os estudantes podem optar por pagar as mensalidades (que somam 36.000 reais no curso completo) só depois de empregados.

O ex-estudante, então, cede parte da remuneração (17%) para a escola até o limite de 36.000 reais. Caso não consiga um emprego na área, ele fica livre da despesa ou tem a dívida suspensa temporariamente. “As pessoas entenderam a vantagem de estudar num lugar empenhado no sucesso daquele profissional”, afirma Matheus Goyas, cofundador e presidente da startup.

A aposta de Goyas e dos sócios João Duarte, Rafael Torres, Claudio Lensing e Marcos Moura deu certo. Em menos de um ano, a startup levantou mais de 57 milhões de reais em investimentos. A Trybe encerrou 2020 com 754 estudantes e projeta ter mais 3.000 alunos em 2021.

O número pode subir com a aquisição da Codenation, anunciada em agosto passado. A startup rival contava com 50.000 clientes e ajudava na inserção de profissionais em empresas como Itaú, Banco Inter e StoneRODRIGO LOUREIRO


6 [Serviços] – Idwall

O QUE FAZ: sistemas de segurança biométrica para empresas
POR QUE DEVE CRESCER: a digitalização exige novas formas de autenticação, especialmente no setor financeiro

Em um país como o Brasil, que sofre uma tentativa de fraude a cada 16 segundos, contratar uma empresa para cuidar da segurança dos dados é imprescindível. Foi exatamente para atender a essa necessidade que surgiu a Idwall, startup que oferece serviços de segurança biométrica para setores variados.

A ideia surgiu quando Lincoln Ando, um dos fundadores, trabalhava na abertura de um banco digital em 2011. Cinco anos depois, ele fundou a Idwall. A tecnologia funciona da seguinte forma: quando uma pessoa quer abrir uma conta ou alugar um carro pela internet, por exemplo, ela envia fotos do rosto de diversos ângulos para confirmar que é a mesma pessoa que está na foto do RG. Tudo é detectado por inteligência artificial.

Os dados então são cruzados para identificar fatores como antecedentes criminais e calcular o risco de golpes. “Se a empresa está online, ela precisa ser segura. E nós ajudamos nisso”, diz Ando. Hoje, 200 empresas são clientes da startup. TAMIRES VITORIO


7 [Varejo e comércio eletrônico] – Olist

O QUE FAZ: ferramenta para PMEs venderem na internet
POR QUE DEVE CRESCER: a migração de comerciantes de rua para a internet ganhará fôlego

Sem ter produtos, o Olist é um dos maiores vendedores dentro de marketplaces como o Mercado Livre. A startup de Curitiba faz a ponte entre milhares de pequenos lojistas e grandes varejistas. O negócio dela é assumir a tarefa de vender e entregar 1,5 milhão de produtos de seus 35.000 clientes.

O Olist foi criado pelo empreendedor Tiago Dalvi, que desde os 19 anos trabalha com varejo. Dono de uma loja de artesanato na época, Dalvi fechou parceria com colegas artesãos para todos venderem em grandes empresas como Renner, Tok&Stok e Walmart.

Em 2011 o negócio virou um marketplace e, em 2014, adotou o modelo atual do Olist. Para quem compra em site como o Meli, o Olist aparece como só mais um vendedor. Na verdade, a startup gerencia o estoque, precifica e entrega os produtos de pequenas lojas sem estrutura digital. “Sempre tivemos a missão de empoderar o comércio”, diz Dalvi.

Na pandemia, o Olist lançou o Olist Shops, uma ferramenta que dá para pequenos comerciantes uma loja online. O serviço já é usado por 100.000 empresas em 173 países e vem ajudando o Olist a praticamente dobrar a receita a cada ano. O crescimento chamou a atenção de investidores: desde 2019, o Olist já captou 500 milhões de reais de fundos como o SoftBank. CAROLINA INGIZZA

 


8 [Saúde] – Prontmed

O QUE FAZ: prontuário eletrônico e estruturação de dados clínicos
POR QUE DEVE CRESCER: o setor de saúde precisa acelerar a gestão de dados e ganhar eficiência

A pandemia obrigou o setor de saúde a buscar mais eficiência. Uma das startups mais proeminentes é a Prontmed, de prontuários eletrônicos. A empresa faz estruturação dos dados clínicos, para ajudar médicos e empresas a tomar decisões.

Os clientes são operadoras de saúde, hospitais e clínicas. “Há uma tendência no mundo de melhorar a gestão dos pacientes. E é impossível fazer gestão sem informação”, diz Lasse Koivisto, presidente da Prontmed. Fundada em 1996 pelo chinês Wang Sen Feng, a startup passou anos desenvolvendo prontuários eletrônicos para o Hospital das Clínicas. Koivisto entrou em 2011 para expandir o negócio.

De lá para cá, a Prontmed recebeu três aportes. O mais recente veio no fim de 2020, quando o Grupo Fleury e o laboratório Sabin compraram juntos 30% da empresa. Agora ela busca ampliar o escopo e ganhar escala. A expectativa é que, em 2021, 4 milhões de consultas sejam feitas usando o prontuário da startup — até hoje foram feitas 10 milhões. MARIANA DESIDÉRIO


9 [Varejo e comércio eletrônico] – Aftersale

O QUE FAZ: sistema para rastrear entregas e fazer a logística reversa
POR QUE DEVE CRESCER: a expansão do comércio eletrônico deve forçar a automação dos negócios

Para o empreendedor Leonardo Frade, transformar um cliente injuriado num promotor da marca virou um negócio. Em 2017, Frade e o sócio Cristian Trentin fundaram a Aftersale, uma plataforma de gestão do pós-venda do e-commerce.

No início, o negócio foi montar pontos físicos para a retirada de compras online. Logo os sócios viram que o e-commerce tinha problemas para resolver frustrações como uma peça de vestuário fora do tamanho ou um produto extraviado.

Em 2018, os sócios decidiram ampliar o foco. “Essa área não evoluiu muito desde as vendas por catálogo há 80 anos”, diz Frade. “Hoje, se o consumidor tem poder para comprar sozinho, por que o pós-venda tem de ser diferente?” A Aftersale tem um site para o cliente resolver tudo sozinho. Com a pandemia, o negócio decolou. O número de clientes saiu de 250.000 no final de 2019 para 1 milhão em 2020LUÍSA GRANATO


10 [Varejo e comércio eletrônico] — Ginger

Marina Ruy Barbosa, da Ginger: contra os desperdícios no mundo da moda (Germano Lüders/Exame)

O QUE FAZ: grife de moda sustentável
POR QUE DEVE CRESCER: o slow fashion, que prega o uso de materiais reciclados e coleções atemporais, vem ganhando força em grandes varejistas

Marina Ruy Barbosa, de 25 anos, já fez campanhas pra diversas grifes. Apaixonada por moda, resolveu empreender. No ano passado, lançou a Ginger, com estrondoso sucesso — as primeiras 1.200 peças esgotaram em poucas horas. Estilo atemporal e uso de materiais e processos sustentáveis colocam a marca na vanguarda do mercado a ajudam a inspirar mudancas necessárias. PEDRO DINIZ


11 [Financeiro] – Magnetis

O QUE FAZ: gestora que usa algoritmos para alocar investimentos
POR QUE DEVE CRESCER: a procura por melhores opções de investimento continuará em alta

Um bom investidor faz o dinheiro trabalhar a seu favor. O problema é que isso demanda tempo e estudo, recursos que nem todos conseguem empregar. O que resta é ficar na poupança? Também não. Uma das opções é confiar no chamado “robô advisor”.

Esse robô assessor é um algoritmo que propõe a alocação com base em dados. No Brasil, a pioneira do modelo é a fintech Magnetis. Fundada em 2015, a gestora digital tem hoje 600 milhões de reais sob gestão. “Cerca de 99% das decisões são tomadas por algoritmos”, diz Luciano Tavares, fundador e presidente.

A tecnologia barateia os custos e permite oferecer uma gestão de patrimônio robusta a partir de 1.000 reais. Segundo a empresa, a carteira de perfil moderado registrou 6,06% de queda no período mais agudo da pandemia, enquanto o Ibovespa teve perdas de 33,06%, em março de 2020. BEATRIZ QUESADA


12 [Serviços] – Pipefy

O QUE FAZ: soluções de gestão para empresas
POR QUE DEVE CRESCER: o mercado de software como serviço seguirá aquecido

Alessio Alionço está de olho no mercado americano. Fundador e presidente da Pipefy, startup que desenvolve softwares de gestão, o executivo não esconde que o plano é crescer cada vez mais fora do Brasil. “Cerca de 65% dos investimentos em 2021 vão para os Estados Unidos”, diz o executivo.

Com escritórios em São Francisco e Austin, a startup fundada em Curitiba em 2015 espera que, num futuro próximo, a maior parte de sua receita venha do exterior.

Ao todo já são 15.000 clientes em 150 países. O serviço da startup está na categoria de software as a service (SaaS), um mercado que movimentou 104 bilhões de dólares no ano passado. No Brasil, a Pipefy é vista como um potencial unicórnio: já levantou 63 milhões de dólares. Com dinheiro em caixa, a Pipefy quer dobrar de tamanho em 2021. Pelo menos 150 novos funcionários serão contratados até julho. RODRIGO LOUREIRO

 


13 [Varejo e comércio eletrônico] – AfrôBox

O QUE FAZ: curadoria de produtos de beleza para pessoas negras
POR QUE DEVE CRESCER: atender à necessidade dos consumidores negros é uma tendência sem volta

“Por que criar um produto focado somente em negros?” Esta era a pergunta que Élida Aquino, fundadora da AfrôBox, mais ouvia ao apresentar sua startup, um clube de assinatura de produtos de beleza. Em um país onde mais de 50% da população é negra, segundo dados do IBGE, criar produtos para essa fatia dos brasileiros, mais do que uma necessidade, tornou-se um diferencial competitivo.

“Partimos das situações frustrantes ao longo da vida de não encontrar produtos que se encaixavam no tom de pele, na curvatura do cabelo”, diz Aquino. Em outros clubes de assinatura, as bases e os pós chegam em tons mais claros e os xampus não levam em conta o cuidado de que os cabelos texturizados precisam.

Foi daí que a AfrôBox surgiu: da experiência de Aquino enquanto mulher negra e consumidora dentro do mercado de beleza brasileiro, com o objetivo de responder a essa angústia sentida por diversas pessoas no Brasil.

O clube de assinaturas da AfrôBox segue a mesma premissa de outras empresas do tipo. Uma vez por mês, os clientes recebem em casa um conjunto de produtos de beleza — que vão desde rímeis, sombras e blushes até cremes para cabelo e para cuidados com a pele. A curadoria é feita buscando marcas que tenham relevância e que demonstrem preocupação com a comunidade negra. Atualmente, mais de 5.000 pessoas recebem as caixinhas de mimos da startup.

Mas nem tudo foi (ou é) fácil. Em um dos primeiros pitches (apresentações rápidas da startup a potenciais investidores), Aquino imaginou que não conseguiria tirar a ideia do papel pela falta de investimento e pelo pouco interesse de programas de pré-aceleração. Depois de um tempo, a startup de Aquino foi selecionada pelo Canal Mulheres de Impacto, iniciativa da ONU Mulheres e da Think Olga, para o desenvolvimento de projetos liderados por mulheres.

Foi então que Aquino e suas sócias, que já deixaram a empresa, conseguiram o investimento coletivo necessário para começar o negócio. Nenhum investimento efetivo foi recebido até o momento, apesar do potencial do mercado. Para 2021, a meta é reelaborar todo o site da AfrôBox e aumentar o uso de inteligência artificial na escolha dos produtos que serão entregues. “Subvertemos a narrativa do setor de beleza, mas precisamos do incentivo. É claro que ainda existem abismos. Nosso papel é encurtá-los.” TAMIRES VITORIO


14 [Transporte] – TrazFavela

O QUE FAZ: aplicativo de delivery para bairros de periferias
POR QUE DEVE CRESCER: leva facilidade para a população de baixa renda e bairros mal servidos pelos aplicativos mais tradicionais

Em 2018, Iago Santos trabalhava em uma aceleradora de startups e foi apresentado ao ambiente de empresas de tecnologia. Conforme aprendeu sobre o setor, Santos entendeu que a dor de não conseguir receber um pedido por aplicativo em áreas periféricas não era só dele. Pronto: estava plantada a semente do TrazFavela.

“Houve um boom de aplicativos de delivery no Brasil. Mas, nas duas vezes que precisei usar o aplicativo em uma área periférica, não consegui realizar o pedido. Isso me incomodou bastante”, diz.

O modelo de negócios é parecido com o de outros apps, como Uber Eats, Rappi e iFood. O consumidor faz um pedido de um estabelecimento e a plataforma se conecta com um entregador. “Queremos ser um delivery sem preconceito, para que comerciantes vendam produtos a diversos bairros”, diz.

O TrazFavela atende as pessoas que moram na periferia de Salvador, na Bahia. Até o início de fevereiro, a startup já tinha realizado 2.300 entregas. As metas de Santos e dos sócios Marcos Silva e Ana Luiza Sena são ousadas. Uma delas é expandir o serviço para países da África e da América Latina. Antes de se internacionalizar, o plano é chegar com força a outros estados, como Rio de Janeiro e São Paulo. TAMIRES VITORIO


15 [Financeiro] – Conta Black

O QUE FAZ: banco digital para as classes C, D e E
POR QUE DEVE CRESCER: as fintechs voltadas para clientes mais jovens ou com menor renda são uma tendência na próxima década

Sergio All viveu na pele — escura — o problema que quer solucionar: a falta de crédito para pessoas de menor renda, por preconceito racial. Em 2016, quando decidiu buscar empréstimo num banco do qual era correntista, teve o pedido negado sem justificativa.

Tinha nome limpo, bom score e um plano factível. De lá para cá, o empresário deu início à Conta Black, banco digital voltado para as classes C, D e E, hoje com 12.000 clientes (e outros 9.000 pré-aprovados).

“Queremos ser o banco das comunidades, das favelas”, diz All. O foco está na corrida pelos “sem banco”. A estratégia agora é facilitar o uso mesmo para quem não tem smartphone e diversificar os serviços. Para tirar os planos do papel, a Conta Black está em conversas com quatro fundos e espera levantar capital em 2021RODRIGO LOUREIRO


16 [Serviços] – InfoPreta

O QUE FAZ: consultoria para inserir negros, mulheres e outros grupos pouco representados no mercado de tecnologia

POR QUE DEVE CRESCER: o avanço da agenda ESG deve estimular a diversidade nas empresas

O caso do paulistano Akin Abaz, de 26 anos, é típico do empreendedor que faz de uma dor uma oportunidade. Morador de Osasco, na Grande São Paulo, Abaz saiu da escola com poucos conhecimentos em informática, habilidade cada vez mais fundamental para uma carreira bem-sucedida. Ao mesmo tempo, ele via cada vez mais smartphones e laptops entre amigos e familiares. “Pouca gente sabia usar os aparelhos”, diz Abaz.

Daí surgiu a ideia da InfoPreta, um negócio dedicado a democratizar o acesso à tecnologia em comunidades carentes. Um dos negócios de Abaz é pleitear a doação de computadores usados em grandes empresas para treinamento em informática de grupos pouco representados no setor, como negros e mulheres.

Em paralelo, a mão de obra formada nos cursos faz a manutenção de equipamentos de informática dos clientes da InfoPreta, entre eles o Sesc-SP. O avanço da agenda ESG deve abrir espaço para alunos formados na InfoPreta. Criado em 2012 na casa de Abaz, o negócio hoje emprega 30 pessoas e ocupa um prédio de três andares na capital paulista.

O período coincidiu com uma transição importante na vida de Abaz, que viveu até recentemente como mulher e hoje é um homem trans. “Senti na pele as barreiras para a inserção no mundo da tecnologia e estou aqui para quebrá-las”, diz. LEO BRANCO


17 [Financeiro] – Quero Quitar

O QUE FAZ: ajuda credores e devedores a negociar dívidas
POR QUE DEVE CRESCER: a negociação por canais digitais deve ser cada vez mais utilizada

Seis em cada dez pessoas em idade de trabalhar no Brasil estão com contas atrasadas. É um contingente de 64 milhões de brasileiros. Fundada em 2015, a fintech Quero Quitar surgiu para fazer o meio de campo entre credores e devedores.

A proposta é diferente: nada de ligações insistentes e abusivas de cobrança. A negociação pode ser feita 100% digitalmente. É possível parcelar o débito em até 50 vezes e ter descontos de até 95%.

A plataforma reúne uma base de dívidas de mais de 20 empresas, como a rede varejista Pernambucanas, totalizando 55 milhões de clientes com débitos. “Queremos que o consumidor negocie com calma, olhando para o orçamento. É diferente de ser cobrado por telefone”, diz Marc Lahoud, presidente da Quero Quitar.

Em 2020, a base de clientes cresceu 350%, em plena pandemia de covid-19. “As pessoas gastaram menos. O auxílio emergencial reforçou o orçamento e foi um incentivo para quitar os débitos”, afirma. BIANCA ALVARENGA


18 [Saúde] – Viziomed

O QUE FAZ: plataforma de inteligência artificial para exames radiológicos
POR QUE DEVE CRESCER: a digitalização da saúde aumenta a demanda por automação

A ideia de criar uma startup de saúde foi de um dentista com paixão por tecnologia. Durante uma viagem ao Canadá em 2018, Mavio Bispo e os sócios começaram a desenvolver um sistema de inteligência artificial (IA) capaz de detectar pontos em radiografias. Ao voltar para o Brasil, eles criaram a Viziomed para oferecer esse serviço a hospitais e laboratórios.

“Fala-se muito de inteligência artificial na área médica, mas a aplicação é baixa. Existe um gap para fazer os hospitais entender o impacto da IA”, diz Bispo, presidente da startup. A plataforma funciona como um marketplace, em que os clientes se conectam e têm acesso aos serviços.

Viziomed atua na análise de tomografias, radiografias, entre outros exames, fazendo com que o hospital possa diagnosticar ou detectar lesões em um paciente. O sistema faz marcações em lesões que poderiam passar despercebidas.

Em tempos de pandemia, a startup disponibilizou de graça uma ferramenta que detecta lesões causadas pela covid-19. Apesar de ser brasileira, os maiores mercados são Israel, Coreia do Sul e Estados Unidos. O próximo passo é desenvolver novas soluções e ganhar mais espaço no mercado brasileiro. TAMIRES VITORIO


19 [Agricultura] – JetBov

O QUE FAZ: sistema de gestão para monitorar indicadores de produção na pecuária
POR QUE DEVE CRESCER: a criação de gado é um dos setores do agronegócio com menos tecnologia embarcada

A JetBov é um sistema de gestão para o pecuarista monitorar a engorda da boiada pelo celular. Por ali, dá para criar fichas de cada animal com dados como datas de vacinação e evolução do peso. Os dados são transmitidos por sensores instalados em brincos colocados em cada animal.

O fundador, Xisto Alves, viu que isso era um filão em conversas com a esposa, veterinária e pecuarista. Tida por ambientalistas como vilã na derrubada de florestas, a pecuária pode ser mais eficiente. “Enquanto a soja se tecnificou muito, a pecuária ficou um pouco atrás”, diz Xisto, que vê uma nova geração de pecuaristas mais aberta ao uso de tecnologia no campo.

Fundada em 2014 em Joinville, Santa Catarina, a JetBov já tem clientes no Paraguai, em Angola e Moçambique e dobrou de tamanho na pandemia. A agropecuária cresceu em 2020, apesar da pandemia. Negócios para a JetBov não devem faltar. VICTOR SENA


20 [Saúde] – Salvus

O QUE FAZ: mantém uma plataforma para gestão de suprimentos na área médica
POR QUE DEVE CRESCER: ganhos de eficiência serão vitais no resultado de planos de saúde

A saúde privada no Brasil convive com uma das inflações médicas mais elevadas do mundo — em média, quatro vezes acima da oficial.

Pensando em ajudar planos de saúde a ganhar eficiência e, de quebra, melhorar o serviço aos clientes, os pernambucanos Maristone Gomes, Caio Cesar e Rayanne Santana criaram em 2015 a Salvus, uma startup de Recife de sistemas para monitorar insumos hospitalares em leitos domiciliares.

“Sou da área de computação e comecei a ficar indignado ao consumir produtos da saúde e ver os problemas do setor“, diz Gomes. Numa plataforma, famílias e profissionais de saúde podem monitorar suprimentos, como o oxigênio, e acompanhar a evolução clínica do paciente.

Hoje, a Salvus gere 3.000 leitos domésticos em 18 estados. Para 2021, a meta é quintuplicar a receita. LUÍSA GRANATO


21 [Serviços] – Polichat

O QUE FAZ: desenvolve um sistema para atendimento de clientes pelo WhatsApp
POR QUE DEVE CRESCER: a adoção do teleatendimento, puxada pela pandemia, veio para ficar

“Não é só de soja e gado que vive Goiás”, brinca Alberto Filho, fundador da Polichat, uma startup de Goiânia que aumentou cinco vezes a base de clientes em 2020 com uma plataforma para atendimento dos clientes por canais como o WhatsApp.

A ideia do negócio veio em 2018 quando os sócios Alberto Filho e Gabriel Henrique de Sousa trabalhavam numa rede de clínicas médicas. Ambos ficavam frustrados com clientes tirando dúvidas e fazendo reclamações em canais alternativos ao telefone da empresa — como as redes sociais. “Não era uma dor pontual, mas muito latente em várias empresas”, diz.

A quarentena comprovou que a ideia tem valor. Hoje a Polichat tem clientes em países como Estados Unidos e Japão. O negócio cresceu: nos últimos meses a empresa agregou uma opção de pagamento, o Polipay, à plataforma de atendimento, dobrando a aposta nos contatos digitais entre empresas e clientes. LUÍSA GRANATO


22 [Mídia, marketing e entretenimento] – Afro.TV

O QUE FAZ: mantém uma plataforma digital especializada em conteúdo em vídeo para o público negro e de periferia
POR QUE DEVE CRESCER: representatividade foi a palavra de ordem em 2020 e se tornou imprescindível para as empresas

Afro.TV tem uma missão ousada: ser a principal plataforma digital de conteúdo negro no Brasil. Idealizada por Paulo Rogério Nunes, David A. Wilson e Fabien Anthony, a startup está criando um serviço que vai exibir talk shows e conteúdo jornalístico e de entretenimento, como filmes e documentários.

Tudo com foco na diversidade. “É um misto de streaming com agência criativa. E regado com análise de dados”, diz Nunes. “A ideia é tornar a Afro.TV uma autoridade nessa audiência.”

Com sede em Salvador, o projeto nasceu no fim do ano passado graças a um investimento de 2 milhões de reais feito pela Afar Ventures. Para os próximos anos, a meta é levantar mais 10 milhões de reais com outros fundos de capital de risco.

Os recursos devem ajudar a empresa a expandir a programação e manter equipes em outras cidades brasileiras, como São Paulo e Rio de Janeiro. Para ganhar dinheiro, a aposta é na produção de conteúdo patrocinado para empresas, além da veiculação de publicidade.

“As marcas querem se comunicar com o público, mas não sabem como”, diz Nunes. Mais do que gerar caixa, há um aspecto social importante por trás do projeto: fortalecer outros empreendimentos criados por pessoas negras. “O negócio já nasce com um propósito. O risco é grande, mas o mercado afro já existe no Brasil. Só precisa de investimento”, afirma o empreendedor. RODRIGO LOUREIRO


23 [Mídia, marketing e entretenimento] – Netshow.me

O QUE FAZ: cria soluções para monetizar conteúdos digitais
POR QUE DEVE CRESCER: a distribuição de vídeos em plataformas de streaming como YouTube e Netflix deve ganhar mais espaço nesta década

Com a expansão do trabalho híbrido, muitas empresas estão investindo em tecnologias para aproximar funcionários à distância. É o que movimenta o negócio da Netshow.me, uma plataforma online de vídeos criada em 2013 como uma espécie de palco virtual para artistas iniciantes.

Há cinco anos, com o mercado inicial demorando para engrenar, o fundador Daniel Arcoverde passou a vender o serviço a empresas interessadas na plataforma para cursos à distância. Em 2019, com aquisições de serviços correlatos, a startup passou a oferecer uma plataforma com vídeos, textos e imagens num lugar só. “Cada cliente pode montar sua ‘Netflix’ com a gente”, diz.

A pandemia mostrou o acerto da estratégia. Por causa da demanda corporativa, o tráfego no sistema da Netshow.me cresceu nove vezes no ano passado. O número de clientes quadruplicou. Em meio à escalada na demanda, até os artistas voltaram ao radar: foram 4.700 lives no ano passado, entre shows e eventos. LUÍSA GRANATO


24 [Agricultura] – Tarvos

O QUE FAZ: fornece equipamentos para fotografar eventuais infestações de pragas no campo
POR QUE DEVE CRESCER: a economia no uso de defensivos químicos está na ordem do dia da agenda de sustentabilidade

A startup Tarvos nasceu de conversas nos corredores da Universidade Estadual de Campinas entre os colegas Andrei Grespan, Fabricio Soares e Hugo Fernandes sobre como usar o processamento descentralizado de imagens para acompanhar infestações de pragas em lavouras.

A partir daí, os sócios criaram uma espécie de “estação de monitoramento”, um aparelho munido de sensores e câmeras que, fincado na lavoura, consegue prever quando a produção está prestes a ser atacada. A ideia do equipamento é evitar desperdícios na aplicação de defensivos, algo que pode causar a resistência de espécies ao químico.

“Encontramos as primeiras indicações de pragas e a dose correta de defensivo a ser aplicada”, diz Grespan. O foco da Tarvos está em pragas como a lagarta-militar, que ataca plantações de milho, algodão e soja, assim como em outras lagartas de interesse econômico. Fundada em 2017, a startup já tem clientes relevantes, atendendo a multinacionais fabricantes de defensivos químicos e está monitorando 40.000 hectares em sua primeira safra de atuação. VICTOR SENA


25 [Financeiro] – Acordo Certo

O QUE FAZ: mantém uma plataforma digital para negociação com credores
POR QUE DEVE CRESCER: o contato dá eficiência num mercado sempre forte: o de dívidas

O devedor brasileiro depara com o estresse da dívida e também com o da cobrança. A boa notícia é que existem serviços que tornam a experiência menos traumática. A receita é fazer a negociação no meio digital. É o que faz a startup Acordo Certo.

Criada em 2016, a fintech foi comprada em dezembro pela empresa de análise de crédito Boa Vista por 37 milhões de reais. “Buscamos resolver um problema social oferecendo uma experiência diferente”, diz Dilson de Sá, presidente da startup.

A plataforma conta com 30 parceiros, que oferecem até 99% de desconto nas dívidas. A fintech encerrou 2020 com 4 milhões de novos acordos, um aumento de 240%. A base de devedores dobrou em 2020: são 15 milhões de CPFsMARÍLIA ALMEIDA


26 [Transporte] – Mottu

Zanelatto, da Mottu: motos por aluguel para entregadores de comida por app (Germano Lüders/Exame)

O QUE FAZ: mantém uma plataforma para aluguel de motos
POR QUE DEVE CRESCER: o uso de apps de mobilidade urbana seguirá em alta

Entre outras coisas, 2020 foi o ano do delivery. As vendas no e-commerce brasileiro mais que dobraram, e os pedidos em plataformas de entregas como iFood, Rappi e Uber Eats avançou nessa proporção. É para fazer esse ecossistema girar que nasceu a Mottu, startup de aluguel de motos.

O timing foi certeiro: a primeira locação, no fim de janeiro, foi um mês antes de o Brasil entrar em quarentena. Desde então, a Mottu foi de seis a 80 funcionários, chegou a 1.200 aluguéis de motos e 100.000 downloads.

Apesar de muito jovem, a startup recebeu investimento de nomes que fizeram reputação em negócios bem-sucedidos, como Ariel Lambrecht (99), Elie Horn (Cyrela) e José Galló (Renner). “Há muita gente querendo trabalhar com entregas, mas sem condições de comprar moto”, diz o fundador, Rubens Zanelatto.

É uma demanda já vista pelas locadoras de veículos: cerca de 200.000 carros estavam alugados para motoristas de aplicativos antes da pandemia, ou 20% da frota no país, segundo a Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis.

Num cenário de cada vez menos apetite pela aquisição de carros e motos, na esteira da proliferação de apps de mobilidade — e do interesse dos jovens por eles —, demanda para a Mottu não deve faltar. CAROLINA RIVEIRA

 


27 [Mídia, marketing e entretenimento] – NoAlvo

O QUE FAZ: coleta dados para otimizar campanhas em mídia exterior
POR QUE DEVE CRESCER: o marketing direcionado deve seguir em expansão

A startup NoAlvo, fundada em 2016 por Heitor Estrela e Gustavo Godin, pretende revolucionar o mercado publicitário de mídia exterior. A empresa ajuda anunciantes e agências a mapear os melhores pontos para exibir anúncios com base na coleta de dados, como o fluxo e o perfil das pessoas que circulam no local.

“Esse é um mercado fragmentado com mais de 2.000 empresas donas de espaços publicitários. Cruzamos informações e ajudamos anunciantes a ter melhores resultados”, diz Estrela.

A empresa conta com mais de 200 clientes, entre eles P&G, Burger King e Amazon, e recebeu 3 milhões de reais em aportes.

Na pandemia, a NoAlvo direcionou os anúncios para novos pontos, como postos de combustíveis e supermercados. No Brasil, a mídia exterior corresponde a cerca de 10% do bolo publicitário. MARINA FILIPPE


28 [Transporte] – LogComex

O QUE FAZ: mantém um banco de dados online para empresas de logística
POR QUE DEVE CRESCER: após a pandemia as empresas vão prestar atenção às cadeias de suprimentos

Um dos primeiros enroscos causados pela pandemia foi a falta de componentes fabricados na região de Wuhan, na China, o epicentro inicial da crise sanitária. “As empresas perceberam que não dava para contar só com importados da China”, diz Helmuth Hofstatter, fundador da LogComex, startup de Curitiba que mantém um banco de dados online com boa parte das informações para transportar uma carga de um lugar ao outro.

“Somos um ‘terminal Bloomberg’ só para a área de logística”, diz ele. No rol de dados estão guias para liberar cargas em portos ou pagar impostos e cotações de fretes.

Com a pandemia, e o interesse crescente de operadores logísticos em reduzir riscos, a LogComex dobrou de tamanho: são 115 funcionários.

Fundado em 2016, o negócio faturou estimados 20 milhões de reais em 2020. Daqui para a frente, os sócios Hofstatter e Carlos Souza esperam crescer na onda de mudanças como a privatização de portos e aeroportos brasileiros. LEO BRANCO

 


29 [Mídia, marketing e entretenimento] – Deskfy

O QUE FAZ: desenvolve um software para a gestão de campanhas publicitárias
POR QUE DEVE CRESCER: a demanda por ferramentas digitais deve crescer no setor

Com base na metodologia SaaS (sigla em inglês para software como serviço), Victor Dellorto e Lucas Braum fundaram a Desfky no final de 2017. A intenção é ser um parceiro dos times de marketing para fazer a gestão e a customização de campanhas, e a distribuição de materiais para diferentes pontos do cliente, como as lojas.

“São sete módulos que focam organização, eficiência e padronização das marcas. Clientes que têm franquias, por exemplo, conseguem distribuir materiais para unidades de diferentes países”, diz Dellorto.

A startup tem cerca de 110 clientes, que ganham agilidade e corte de custos ao digitalizar os processos e fazer com que os times trabalhem de modo mais estratégico.

A Deskfy já recebeu investimentos, sendo o mais alto liderado pela aceleradora ACE no valor de 1,3 milhão de reais. O objetivo é continuar crescendo e iniciar uma operação no exterior. MARINA FILIPPE


30 [Saúde] – MeuDNA

O QUE FAZ: aplica exames genéticos de baixo custo
POR QUE DEVE CRESCER: as análises genômicas tendem a se popularizar

Desde que o genoma humano foi sequenciado, no ano 2000, o custo de fazer a análise dos genes caiu radicalmente. A MeuDNA se aproveita dessa tendência para oferecer testes genéticos de baixo custo. A empresa foi fundada em 2019 como um braço do laboratório Mendelics, especializado em análises genômicas, e começou oferecendo um teste de ancestralidade.

Em seguida, lançou um exame que detecta a predisposição genética para doenças como câncer de mama e de próstata. Mas a grande guinada ocorreu com um teste de covid-19 do tipo RT-Lamp, que detecta a presença do coronavírus na saliva.

Ele é mais barato e dispensa o uso do cotonete nasal. Hoje o exame está disponível em 1.100 farmácias no país. “No início, nossa meta era realizar 1 milhão de testes em cinco anos. Já fizemos mais de 300.000”, diz Cesário Martins, diretor da MeuDNA. FILIPE SERRANO


31 [Financeiro] – Celcoin

O QUE FAZ: oferece estrutura bancária para instituições financeiras e fintechs
POR QUE DEVE CRESCER: o número de empresas que vão precisar ter infraestrutura financeira deve aumentar

As fintechs provaram que é possível descentralizar o concentrado sistema bancário brasileiro. A tendência é que nos próximos anos surjam ainda mais startups como essas. Mas, para que isso ocorra, é necessário que elas consigam acessar o sistema financeiro. O pulo do gato é que já existe um grupo de empresas preparadas para vender essa infraestrutura, em um modelo batizado pelo mercado de bank as a service (“banco como serviço”).

Uma delas é a Celcoin, que captou 23 milhões de reais em 2020. A fintech, fundada em 2016 por Adriano Meirinho e Marcelo França, oferece serviços financeiros para 130 empresas, entre grandes bancos e fintechs.

Para o lançamento do open banking no Brasil, ela desenvolveu um conjunto de integrações para permitir o compartilhamento fácil, entre bancos e startups do meio, de extratos bancários, faturas de cartão, contratos de crédito, históricos de consumo e contas pagas.

Na prática, quando um usuário liberar o acesso de um banco cliente da fintech, a coleta de informações será feita no sistema da Celcoin. CAROLINA INGIZZA


32 [Varejo e comércio eletrônico] – Nuvemshop

O QUE FAZ: plataforma de lojas online para pequenas empresas
POR QUE DEVE CRESCER: as empresas que preparam o pequeno lojista para o digital aceleraram com a pandemia

Nuvemshop busca revolucionar o e-commerce. A startup foca em ajudar os pequenos e médios lojistas a criar sua operação digital. O negócio foi fundado por Santiago Sosa, Alejandro Alfonso, Martín Palombo e Alejandro Vásquez em 2011.

Apesar de criado na Argentina, seu foco sempre foi o mercado brasileiro. Com mensalidades de 14 a 200 reais, a startup oferece um jeito fácil de vender online. A pandemia acelerou os negócios. De janeiro a dezembro de 2020, o número de clientes passou de 25.000 para 70.000. Juntas, as lojas transacionaram 5 bilhões de reais. “Chegamos a um novo patamar. Os lojistas estão cientes da importância do canal digital”, diz Alejandro Vásquez.

O crescimento atraiu investidores. Em outubro, a startup captou 30 milhões de dólares. Com o cheque, o plano é buscar clientes de maior porte e expandir para a Colômbia, o Chile e o Peru. CAROLINA INGIZZA


33 [Imobiliário] – CredPago

O QUE FAZ: facilita o acesso ao crédito imobiliário
POR QUE DEVE CRESCER: o crédito imobiliário deve expandir com a retomada da economia no pós-pandemia

Empresas como a CredPago, startup que é uma das promessas para 2021, têm ajudado a desburocratizar o processo de aluguel de um imóvel. Ela atua ao lado das imobiliárias, ajudando inquilinos a fazer contratos quando eles não têm garantia para oferecer, além da renda.

Fundada em 2016 pelos sócios Fábio Cruz e Jardel Cardoso, a empresa opera cerca de 350 contratos por dia e está presente na maior parte do território nacional. O serviço é oferecido aos clientes de 14.000 imobiliárias.

A empresa funciona como um fiador e cobre inadimplências eventuais. Para isso, é cobrada uma taxa de 8% a 10% sobre o aluguel. Em 2020, a startup ganhou um sócio “gigante”. O banco BTG Pactual (do grupo que controla a EXAME) comprou 49% da empresa. Em 2020, a startup fechou 100.000 contratos. VICTOR SENA


34 [Financeiro] – Pier

Igor Mascarenhas, da Pier: seguros de automóvel e de smartphone para quem nunca teve um seguro (Leandro Fonseca/Exame)

O QUE FAZ: seguradora digital que atua com proteção para smartphones e automóveis
POR QUE DEVE CRESCER: apenas 30% da frota de veículos que roda no Brasil tem seguro. Para os smartphones, há uma tendência de crescimento na contratação de seguro

Mais de 100.000 pessoas estão na fila de espera para contratar um seguro para smartphone ou automóvel da Pier. Fundada em 2018, a startup prevê que sua base de clientes vá crescer 50 vezes até o fim de 2022 para chegar a 750.000 pessoas.

A projeção é ousada, mas realista. Principalmente porque a companhia está com dinheiro de sobra para operar. Em novembro, a Pier levantou 14,5 milhões de dólares em sua segunda rodada de captação (ela já havia recebido outros 7,6 milhões de dólares em 2019).

Parte do dinheiro será usada justamente com a missão de zerar a fila e ampliar os serviços — mas sem criar novas categorias de seguros, pelo menos não por enquanto. Mesmo endinheirada, a startup continua adotando cautela — uma característica conhecida de quem contrata um seguro.

A Pier aposta em dois pilares. O primeiro é a facilidade. Todo o processo de contratação e de uso do seguro é feito em minutos no site da empresa. “Já tivemos casos de clientes que receberam o reembolso em 38 segundos”, diz Igor Mascarenhas, cofundador e presidente da empresa. O segundo pilar é o preço. Com valores mais baixos do que os da concorrência, a Pier não precisa atrair clientes de outras seguradoras. “Mais da metade da nossa base de clientes não tinha seguro antes de contratar a Pier”, diz o executivo.

Vale destacar que mais de 70% da frota de automóveis do Brasil (cerca de 48 milhões de carros) não contam com nenhuma proteção, segundo dados da Confederação Nacional das Seguradoras. São pontos que fazem a Pier se destacar entre as mais de 110 insurtechs que operam no Brasil e lutam por uma fatia de um mercado que movimentou 270 bilhões de reais no ano passado.

É também o caso das rivais Pitzi e Minuto Seguros, que já levantaram centenas de milhões de dólares em aportes. Fora do Brasil, o mercado é igualmente promissor. A Bright Health, empresa fundada em 2016 e que já tem receita bilionária, e a Lemonade, que abriu o capital em agosto e já está perto de triplicar seu valor de mercado (8,2 bilhões de dólares no início de fevereiro), são a prova de que a cautela também pode ser lucrativa. RODRIGO LOUREIRO


35 [Serviços] – Fluke

O QUE FAZ: operadora de celular 100% digital
POR QUE DEVE CRESCER: os consumidores tendem a favorecer empresas que ofereçam uma boa experiência digital, incluindo as de telefonia móvel

Startups do meio financeiro, como Nubank e Stone, provaram que é possível competir com gigantes no Brasil oferecendo uma plataforma digital intuitiva e um serviço de atendimento competente. A startup Fluke espera fazer o mesmo no mercado de telefonia celular — um setor que, entra ano e sai ano, é um dos que mais recebem reclamações no Procon.

A Fluke atua como uma espécie de operadora 100% digital. Da contratação do plano ao atendimento, tudo é feito por meio de um aplicativo, incluindo a ativação do chip. Ao contrário de uma operadora tradicional, a startup não tem uma rede própria. Ela aluga o serviço de outra empresa (no caso, o da Vivo). É um modelo conhecido pelo nome de operadora virtual, seguido por companhias como o gigante Virgin Mobile, do Reino Unido.

O serviço da Fluke foi lançado em março passado em São Carlos, no interior de São Paulo, e era voltado inicialmente para o público universitário da região. Mas a pandemia acelerou os planos de expansão. Na metade do ano, a startup passou a atender todo o estado, incluindo a capital paulista, e levantou pouco mais de 2 milhões de reais em investimentos.

Em seguida, veio a expansão para Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Goiás e Distrito Federal. Para 2021, a meta é chegar a 100.000 consumidores. Segundo Marcos Oliveira Jr., presidente e um dos fundadores da startup, a maior parte dos clientes atuais está na capital paulista e são jovens com idade média de 26 anos que contratam a Fluke como a primeira conta de celular no próprio nome.

“Telefonia celular é um mercado muito grande e com muito cliente insatisfeito. Alguém vai precisar solucionar esse problema. Esperamos que a gente seja a mais competente”, diz o fundador, um empreendedor prodígio de apenas 22 anos. Ele fundou a startup com os sócios Augusto Pinheiro, Vinícius Akio e Yuki Kuramotoc. FILIPE SERRANO


36 [Recursos humanos] – BossaBox

O QUE FAZ: marketplace de profissionais de tecnologia
POR QUE DEVE CRESCER: a digitalização da economia aumenta a procura por desenvolvedores

No corre-corre da transformação digital vivida em 2020, profissionais de tecnologia se tornaram essenciais para a sobrevivência dos negócios. Uma das startups que se beneficiam dessa onda é a BossaBox, fundada em 2017 por André Abreu, Eduardo Koller, Giovanni Salvador e João Zanocelo.

A empresa reúne na plataforma cerca de 11.000 trabalhadores autônomos especializados em desenvolvimento de software, design e gestão de produtos digitais. Cobrando uma assinatura mensal, de 80.000 a 180.000 reais, ela oferece a clientes como Itaú equipes prontas para tirar do papel projetos digitais. A empresa faturou 8,5 milhões de reais em 2020 e projeta triplicar a receita neste ano.

Para isso, planeja dobrar a equipe de 30 pessoas. “Estamos empolgados para transformar o jeito como a indústria de tecnologia opera”, diz André Abreu, cofundador e presidente. CAROLINA INGIZZA


37 [Imobiliário] – LiveHere

O QUE FAZ: imobiliária digital com foco no interior
POR QUE DEVE CRESCER: o setor imobiliário precisou acelerar a digitalização depois da pandemia, e a startup encontrou um nicho apostando em cidades do interior

Inovar no mercado imobiliário é possível. Empresas como Quinto Andar, Grupo Zap ou Loft mostraram como a tecnologia pode impactar o setor. Mas, é preciso admitir, essa é uma realidade dos grandes centros urbanos. No interior, o modelo de negócios predominante ainda é o da imobiliária tradicional.

Foi de olho em solucionar esse problema, especialmente para estudantes universitários, que surgiu a LiveHere, empresa fundada em Campinas para facilitar a locação de imóveis em cidades polos de educação. Mas a startup, como os outros negócios, foi impactada pela pandemia de covid-19: de repente, estudantes estavam fazendo aulas de casa, e não mais nas cidades universitárias.

A saída foi lançar um novo produto, chamado de Izymob, uma plataforma para digitalizar as imobiliárias tradicionais do interior. “Tivemos uma mudança forçada de hábitos, e muitas imobiliárias passaram a nos procurar. Vimos uma oportunidade”, diz Vinicius Freitas, presidente e fundador.

Deu certo. Em cinco meses, a Izymob agremiou mais de 350 imobiliárias, com 150.000 anúncios na plataforma. O serviço está em 50 cidades e o plano é continuar a expansão, especialmente no sul de Minas Gerais e no interior de São Paulo. O primeiro aporte, de 2,5 milhões de reais, veio em 2018, liderado pelo Maya Capital, com investimentos do Fundo Barrah. THIAGO LAVADO

 


38 [Energia, água e utilidade pública] – Lemon Energia

O QUE FAZ: conecta geradores de energia limpa a pequenas e médias empresas
POR QUE DEVE CRESCER: as empresas buscam formas de combater o aquecimento global

Criada em 2019, a Lemon decidiu desbravar um mercado pouco explorado por startups no Brasil: o de energia limpa. A empresa criou um sistema que conecta pequenas empresas às geradoras de energia eólica, solar ou de biogás.

Assim, um comerciante pode contratar a eletricidade diretamente do fornecedor, com preço menor. Segundo Rafael Vignoli, cofundador e presidente, a economia pode chegar a duas contas por ano. A Lemon tem parceria com 55 geradoras, e a expectativa é ter até 100 usinas na rede até o fim do ano.

A ideia chamou a atenção da cervejaria Ambev, que investiu na startup e pretende levar o serviço a 50.000 estabelecimentos clientes da empresa até 2023, entre restaurantes, bares, hotéis, supermercados etc. “A questão do clima é o tema da década. E a geração de energia é um dos causadores do aquecimento global”, diz Vignoli. FILIPE SERRANO


39 [Financeiro] – Conta Simples

O QUE FAZ: banco digital focado em PMEs
POR QUE DEVE CRESCER: cada vez mais empresas buscam a facilidade de serviços digitais para gestão

A primeira geração de fintechs surgiu nos anos 2010 para atender o consumidor final. Agora há um novo grupo de olho em clientes corporativos. Uma das expoentes é a Conta Simples, banco digital para pequenas e médias empresas da nova economia.

Fundada em 2019, ela oferece os serviços tradicionais de uma conta para pessoa jurídica e mais a possibilidade de emitir cartões corporativos, com limites personalizados. Além disso, há um sistema de gestão de despesas e pagamentos.

As facilidades atraíram clientes. Hoje 15.000 empresas usam a solução. Há um ano eram 2.000. “A área de gestão de pagamentos é um mercado pouco explorado, e nossa ferramenta virou um diferencial”, diz Rodrigo Tognini, cofundador e presidente. Em 2020, a startup recebeu 2,5 milhões de dólares de investimentos. Agora o objetivo é criar mais serviços. FILIPE SERRANO


40 [Agricultura] – Agrosmart

O QUE FAZ: plataforma para agricultura de precisão
POR QUE DEVE CRESCER: a pressão de consumidores e importadores deve ampliar a busca por uma produção inteligente no campo

A vida no campo não foi nada fácil em 2020. Os altos e baixos na cotação do dólar elevaram o preço de insumos importantes, como os defensivos agrícolas. O clima mais instável dificultou a tomada de decisão sobre o melhor momento para plantar e colher a safra. Toda essa instabilidade é sinal de oportunidades de negócios para a startup Agrosmart, fundada em Itajubá, no sul de Minas Gerais, e hoje sediada em Campinas, no interior paulista.

A startup quer ser o braço direito do agricultor na hora de tomar decisões. O objetivo é popularizar a tecnologia no campo e, assim, produzir mais com menos — seja para evitar a escalada de despesas com matérias-primas, seja para agradar aos consumidores cada vez mais interessados em saber tim-tim por tim-tim como foi feito o alimento que põe à mesa.

A Agrosmart monitora 33 indicadores, como a quantidade de água, o volume de defensivos usados e o carbono emitido em uma plantação. Tudo isso é feito com dados captados por sensores nas fazendas ou por drones. Em 2020, o faturamento da startup cresceu 90% (a empresa não revela o valor). “A demanda cresceu bem mais do que imaginávamos”, diz Mariana Vasconcelos, sócia fundadora e presidente da Agrosmart.

A área coberta pela tecnologia da empresa é o equivalente a 800.000 campos de futebol. Para os produtores, a startup faz o papel de definir as melhores condições para o plantio. Do lado das empresas que compram a colheita, a Agrosmart ajuda a criar protocolos mais eficientes e o tão sonhado selo ESG.

A pandemia só ajudou a tornar o negócio mais conhecido. “Não é mais necessário convencer os produtores sobre os benefícios da digitalização. Hoje isso está muito claro e é indissociável”, diz Vasconcelos.

O investimento que já fazia sentido passou a ter mais importância do que nunca. “Antes nos preocupávamos em como faríamos o rastreamento. Agora há uma compreensão que é uma demanda do mercado, o que traz um potencial imenso para o Brasil”, diz. MARIA CLARA DIAS


41 [Energia, água e utilidade pública] – Stattus4

O QUE FAZ: sensores e inteligência artificial para encontrar vazamentos de água
POR QUE DEVE CRESCER: o marco legal do saneamento deve puxar investimentos numa carência histórica do Brasil

Fundada em 2015, a Stattus4 fornece soluções para que distribuidoras de água encontrem vazamentos em encanamentos. O diferencial é que os produtos usam tecnologia avançada, como sensores de vibração e inteligência artificial para encontrar os pontos críticos. Eles substituem o procedimento tradicional, que ainda depende de um geofone, aparelho que lembra um estetoscópio para paredes.

Nos últimos quatro anos, a Stattus4 aumentou o faturamento em 400% ao fechar contrato com prefeituras e empresas de água e esgoto. Hoje, a startup atende 100 cidades em São Paulo.

A criação da Stattus4 coincidiu com a crise hídrica no estado, em 2014. De acordo com Marília Marcondes, presidente e fundadora, a crise conscientizou gestores públicos sobre a segurança hídrica.

De acordo com o Instituto Trata Brasil, os sistemas de distribuição perdem — por desperdício ou fraudes — 39,2% da água na média nacional. O desperdício não é por abundância: quase 35 milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada. Reduzir as perdas está entre os objetivos do novo Marco Legal do Saneamento, de 2020. VICTOR SENA


42 [Governo] – Colab

O QUE FAZ: ferramentas para conectar cidadãos e governos
POR QUE DEVE CRESCER: a digitalização de serviços públicos é um caminho sem volta pós-covid

Criado em 2013, o Colab surgiu inicialmente para ajudar na zeladoria urbana, criando um aplicativo para as pessoas apontarem problemas nas cidades. De lá para cá, muita coisa mudou. “A percepção do que é o governo mudou radicalmente, e a empresa mudou o perfil”, diz Gustavo Maia, fundador e presidente.

O produto foi aprimorado. Além de ter a zeladoria, o Colab se tornou um ponto de conexão entre cidadãos, outras startups que trabalham com o setor público, empresas e governos.

A mudança foi impulsionada depois de um aporte de 3 milhões de reais em 2020. O objetivo é se tornar um “superapp” de serviços do governo, oferecendo o acesso a serviços públicos, como pagamento de impostos, agendamento de consultas de saúde e matrículas em escolas.

Com a mudança da gestão em diversas prefeituras, o prospecto para 2021 é otimista, e Maia promete o lançamento de novas funções. THIAGO LAVADO

 


43 [Financeiro] – Rebel

O QUE FAZ: fintech de crédito que usa inteligência artificial para analisar o perfil do cliente
POR QUE DEVE CRESCER: a eficiência no crédito será um dos motores para o Brasil

O crédito é um dos motores de qualquer economia ou empresa. Por essa razão, muitas fintechs se propõem a facilitar o acesso a ele. Mas a Rebel quer ir além: busca que o crédito seja sustentável, oferecendo educação financeira e juros mais baixos.

O uso de inteligência artificial permite aprender com o comportamento financeiro do cliente e direcionar taxas e modalidades adequadas. A ênfase na educação se faz presente em “pílulas do conhecimento” para cada pessoa e em juros que diminuem à medida que a pessoa avança no aprendizado. “As pessoas querem ver o resultado da educação financeira”, diz Rafael Pereira, presidente e cofundador, ao lado de André Bastos e Daniel Shteyn.

Há dois anos, a startup foi apontada pela KPMG como uma das 50 fintechs mais promissoras do mundo. O objetivo é evitar que o usuário só procure a Rebel quando já estiver em situação de aperto ou em busca de uma dívida mais barata para quitar outra mais cara, situação de 40% dos clientes.

Com crescimento de dois dígitos em 2020, a fintech já emprestou mais de 100 milhões de reais desde que surgiu, em 2017. É a certeza de que há muito o que fazer. MARCELO SAKATE


44 [Transporte] – CargoX

O QUE FAZ: conecta transportadoras a empresas que precisam de frete
POR QUE DEVE CRESCER: a digitalização da logística continuará aumentando

CargoX terminou 2020 com crescimento de 18%. O percentual pode não parecer tão alto perto de startups que crescem três dígitos. Mas, para uma empresa que atua com logística, fechar o ano de pandemia com números positivos é um alento. “A primeira metade de 2020 foi uma bagunça. Começamos a crescer só no segundo semestre”, diz Federico Vega, fundador e presidente.

Fundada em 2013, a CargoX ganhou o apelido de “Uber dos caminhões”. A startup tem um aplicativo que conecta transportadoras a empresas. Já são 45.000 caminhoneiros autônomos e 20.000 transportadoras conectados ao serviço, que já recebeu 920 milhões de reais em investimentos.

A startup deve contratar 500 pessoas neste ano e recentemente lançou um marketplace de serviços para o setor. Para 2021, a perspectiva de crescimento é de 40%. No longo prazo, uma nova rodada e até um IPO não estão descartados. “Não passa um dia sem que a gente seja abordada por investidores”, afirma Vega. Se em 2020 o freio de mão permaneceu puxado, agora é a hora de acelerar. RODRIGO LOUREIRO


45 [Varejo e comércio eletrônico] – Méliuz

O QUE FAZ: programas de pontos e cashback para o e-commerce
POR QUE DEVE CRESCER: listada em bolsa, aproveitará o avanço do e-commerce

Fundada há uma década em Belo Horizonte por dois amigos inconformados com as frustrações dos programas de pontos e milhas, a Méliuz inaugurou em 2020 a safra de aberturas de capital de empresas digitais na B3. Em pouco mais de 60 pregões, o valor do negócio mais do que triplicou.

Na oferta pública inicial (IPO), a empresa foi avaliada em 1,25 bilhão de reais. No início de fevereiro, já valia quase 4,5 bilhões. A companhia que, em seus dez primeiros anos, havia captado 30 milhões de reais, de repente tinha no caixa 330 milhões de reais para crescer. O dinheiro vai ser usado para fazer aquisições, investir em tecnologia e em pessoas, ou seja, na contratação de talentos.

Não é por acaso que Israel Salmen, um dos fundadores, junto com Ofli Guimarães, diz que o IPO foi “o primeiro dia da empresa”. A ideia de acessar o mercado público de ações veio das próprias conversas da Méliuz com fundos de venture capital para fazer uma nova rodada.

E, quando mencionava que o IPO era um projeto, Salmen começou a ouvir dos próprios investidores: “Por que não agora?” Ele concluiu que, sim, era a hora de ir para a bolsa, mesmo sabendo quanto isso era inusitado, em especial no mercado brasileiro, tradicionalmente concentrado em grandes empresas.

A Méliuz é um caso desses para acompanhar de perto. Ele vai mostrar a capacidade das empresas de formar um ecossistema robusto de clientes em negócios sem barreiras de entrada. Além disso, será um teste prático sobre como empresas acostumadas a inovar, em parte pela restrição de capital, podem agir com o bolso cheio.

“Eu vendo picareta na corrida do ouro”, costuma dizer Salmen quando questionado sobre o que a empresa faz. A companhia é, de maneira simplificada, definida como um negócio de cashback. Mas não é dessa forma que os fundadores veem o negócio.

Por meio do site e do app, a Méliuz pluga varejistas e empresas de serviços com milhões de consumidores. O objetivo é que os usuários acessem Magazine Luiza, Submarino, Carrefour passando antes pela plataforma. Como? Com incentivos financeiros, o tal do cashback. “Somos uma das maiores plataformas de e-commerce sem vender nenhum produto e sem ter de entregar nada”, diz Salmen.

A picareta que a Méliuz entrega aos clientes (mais de 800 marcas e empresas) é o consumidor. Quando pediu o registro para fazer a oferta de ações, a empresa tinha 10 milhões de usuários. Terminou dezembro com 14 milhões. O total movimentado em 2020 alcançou 2,5 bilhões de reais, 51% mais do que em 2019. Mas, para ter uma ideia da velocidade da expansão, 40% do volume foi registrado no quarto trimestre.

O cashback aos consumidores vem da divisão com o público dos recursos que recebe das marcas e varejos ligados à plataforma, que pagam para estar lá. Nos primeiros nove meses de 2020, a receita líquida cresceu 43%, para 82 milhões de reais. O lucro foi multiplicado por três, atingindo 17 milhões de reais.

A próxima fronteira da empresa, que desde 2019 oferece um cartão de crédito em parceria com Banco Pan e Mastercard, é plugar mais serviços financeiros. Agora vai ser fintech sem precisar de registro no Banco Central. Isso porque tanto produtos quanto serviços oferecidos são sempre em parcerias. “Meu negócio é a picareta, lembra?”, enfatiza Salmen. GRAZIELLA VALENTI E RODRIGO LOUREIRO


46 [Serviços] – Mediação Online

O QUE FAZ: ferramenta online de mediação de ações judiciais
POR QUE DEVE CRESCER: aumentar a produtividade no setor é urgente no Brasil

Para Melissa Felipe Gava, advogada e fundadora da startup Mediação Online, a história da empresa começou quando ela ainda era estudante de direito na Itália, onde se especializou em mediação de conflitos. A prática, comum por lá, era praticamente desconhecida no Brasil.

E tão obscura que Melissa não encontrou emprego quando retornou ao Brasil, em 2014. Então ela começou a estudar o mercado e a buscar o apoio tecnológico para criar uma solução própria.

Em 2015, foi aprovado o novo Código de Processo Civil, um marco que liberou a mediação como alternativa. Com o respaldo legal, Melissa lançou um serviço inédito para pessoas físicas. “Não existia uma plataforma online, acessível, rápida e prática para resolver conflitos”, diz. Em 2017, já com a sócia Camilla Feliciano Lopes, a solução passou a ser oferecida.

Hoje, são 55 clientes, entre bancos, varejistas e empresas de telecom. E ainda há muito espaço para crescer: o Conselho Nacional de Justiça calcula que a mediação aplicada a conflitos simples pode gerar uma economia de 63 bilhões de reais aos cofres públicosLUÍSA GRANATO


47 [Recursos humanos] – Where

O QUE FAZ: aplicativo para gestão de escritórios
POR QUE DEVE CRESCER: empresas estão investindo em home office definitivo e reduzindo escritórios

Com empresas reduzindo escritórios e contratando profissionais em home office, fica a pergunta: como organizar o escritório para acomodar o pessoal que vai precisar estar cara a cara com colegas de vez em quando?

Foi essa demanda, praticamente inexistente antes da pandemia, a responsável por colocar de pé a startup Where, de São Paulo, que tem um aplicativo para gestão de escritórios. “Entre as funções estão reservas de mesas, salas de reunião, estacionamentos e áreas comuns, como elevadores inteligentes”, diz o sócio Leonardo Massarelli.

Em um ano de operação, o negócio já conquistou 6.000 clientes, como o laboratório Dasa. No fim do ano, a Where recebeu aporte de 750.000 reais do fundo Bee.Cap. LEO BRANCO


48 [Imobiliário] – EmCasa

O QUE FAZ: plataforma de compra e venda de imóveis
POR QUE DEVE CRESCER: o interesse pela casa própria deve seguir em alta

Num cenário de incertezas, uma coisa é certa: morar num lugar bacana continuará no topo das prioridades. Uma evidência é a velocidade de expansão de negócios como a EmCasa, fundada em 2017 no Rio de Janeiro. No ano passado, a plataforma de compra e venda de imóveis faturou 18 milhões de reais, o dobro do obtido em 2019. E a previsão é ultrapassar os 50 milhões de reais neste ano. “A pandemia antecipou o sonho da casa própria. Os negócios que usam a tecnologia saíram ganhando”, diz Gustavo Vaz, fundador. A EmCasa usa algoritmos para fazer o “match” entre compradores e vendedores, direcionando imóveis aos clientes de maior potencial. Em troca, a startup cobra comissões de até 6% sobre a venda. Assim, o tempo médio para a negociação de um imóvel é de 24 dias, segundo os fundadores — uma fração do que costuma demorar. Em outra frente, a EmCasa averigua a papelada de quem pede crédito imobiliário e recebe comissões de bancos pela indicação de clientes. LEO BRANCO


49 [Educação] – Descomplica

O QUE FAZ: plataforma de estudos para vestibulandos e universitários
POR QUE DEVE CRESCER: a pandemia impulsionou a educação à distância

Descomplica tem uma história de quase uma década na área de educação. Fundada em 2012 para democratizar os cursinhos pré-vestibular, a startup decidiu se aventurar na graduação e na pós-graduação online e criou, em setembro de 2020, a Faculdade Descomplica.

“Percebemos que nossa missão deveria ser maximizada. Além de ajudar os estudantes a ingressar em uma faculdade, por que não ser a faculdade?”, diz Marco Fisbhen, fundador e presidente. Até dezembro, já eram 30.000 estudantes cadastrados. A startup, que já levantou 30 milhões de dólares em investimentos, quer escalar cada vez mais rápido no ensino superior e melhorar os equipamentos das aulas digitais. TAMIRES VITORIO

 

50 [Energia, água e utilidade pública] – Safe Drinking Water for All

O QUE FAZ: tecnologia para tratamento de água em regiões sem acesso a saneamento
POR QUE DEVE CRESCER: há cada vez mais demanda por soluções sociais e ambientais

A empresa que hoje ajuda a solucionar o problema da água potável para famílias no semiárido nasceu de uma ideia quando a fundadora, Anna Luísa Beserra, tinha 15 anos. Ela concorria ao prêmio Jovem Cientista, do CNPq, com o Aqualuz, um equipamento que, acoplado às cisternas que armazenam a água da chuva, aproveitava os raios ultravioleta do Sol para eliminar vírus e bactérias, tratando a água. Segundo Beserra, o projeto era a evolução de outros que já existiam, mas que não eram eficientes. Depois de Beserra ingressar no curso de biotecnologia na Universidade Federal da Bahia, o produto ganhou corpo.

A empreendedora cientista foi selecionada em um projeto de incubação da universidade e ganhou uma bolsa no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Com o crescimento do projeto, nasceu a startup Safe Drinking Water for All (SDW). Seu modelo de negócios é fornecer uma solução para empresas que buscam projetos de responsabilidade social, alinhadas a métricas de sustentabilidade cada vez mais exigidas no mercado.

Em 2020, a ideia era levar um projeto piloto para fora do país e alcançar 1.000 famílias atingidas. A pandemia, no entanto, exigiu um pé no freio. A SDW desenvolveu um novo produto, o Aquapluvi, equipamento que permite a instalação de estações de higienização de mãos em locais públicos. O projeto foi instalado em Salvador, e 5.000 pessoas foram atingidas. Para 2021, o plano é retomar o trabalho do produto principal, mirando um faturamento de meio milhão de reais. THIAGO LAVADO

Fonte: Exame

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