O carioca Daniel Peres, terceira geração na administração da Multiplan, cansou de ver os amigos se mudando para São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre para fugir das agruras do Rio de Janeiro. Insegurança, política caótica, falta de mão-de-obra, ausência de investidores, ISS mais caro são as principais justificativas. Foi durante a pandemia que essa ausência bateu mais forte.

Encerrava o dia de trabalho, como chefe de inovação da Multiplan, e engrenava longas conversas com Richard Svartman, diretor de estratégia digital do grupo, vendo o Rio pela janela.

“O Rio é um lugar maravilhoso e incomparável como cartão postal. Mas sofreu muito nos últimos anos e achamos que pode ser um momento de oportunidade, de inflexão, para recriar um ecossistema de inovação e empreendedorismo na cidade”, diz Peres. “Muitos negócios nascem aqui, feitos por pessoas apaixonadas pelo Rio, mas quando começam a crescer são levados para outras sedes. A gente quer romper esse ciclo e reter massa cinzenta.”

Peres acionou sua lista telefônica para colocar de pé o ReStart Rio, definido como um “movimento” de fomento à tecnologia e ao empreendedorismo na cidade. No conselho da ReStart Rio estão o avô, o empresário José Isaac Peres, fundador da Multiplan, Roberto Medina, fundador do Rock in Rio, André Street, cofundador da Stone, e Louis de Ségur de Charbonnières, do Enseada Family Office, que gere o capital da família controladora da SulAmérica.

O conselho precisa dedicar tempo às estratégias do movimento e eventualmente das startups, mas o capital virá de outros investidores. A ReStart quer levantar um fundo de venture capital de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões, que será gerido pela carioca Fuse Capital e vai investir exclusivamente em startups fluminenses.

A aceleradora Fábrica de Startups vai dar suporte às companhias ainda em estágio inicial e ajudar a selecionar esses negócios para a carteira do fundo e, numa outra frente, o Founder Institute vai trabalhar na capacitação de pessoas que queiram empreender ou fazer parte desse mundo de negócios digitais.

No ano passado, o volume de investimentos de venture capital no Rio de Janeiro registrou forte alta. A grande questão, para o ReStart, é manter a constância nesses projetos e no engajmento dessa comunidade de inovação. Nesse primeiro fundo, o prazo é de 10 anos. “A gente sente que os movimentos aqui no Rio são sempre voos de galinha. Projetos pontuais, com visão de curto prazo, por isso estruturamos de outra forma, reunindo mais gente nesse conceito de comunidade”, diz João Zecchin, sócio da Fuse Capital.

Como já tem um corte geográfico, o fundo não terá distinção de setores e pode investir em diferentes fases da startup, para não ficar com uma carteira muito restrita. A Fuse já tem um fundo de US$ 25 milhões, baseado no Rio e com investimentos nacionais – no caso dos aportes no Rio, para não ter conflito entre os fundos, eles podem coinvestir.

Nessa comunidade, a ReStart quer atrair mentores e parceiros corporativos que possam ter incentivos para agregar valor às empresas novatas e colher frutos disso – pode ser, por exemplo, uma meta operacional que acione um gatilho financeiro, pode ser uma prioridade em coinvestimento ou numa segunda rodada de captação. “A essência da indústria de inovação e tecnologia é colaborativa e é o que esse movimento precisa para acontecer”, diz Guilherme Hug, também sócio da Fuse.

Para eles, é um jeito de investir num ativo financeiro e na economia real ao mesmo tempo. “É uma iniciativa privada de fomento ao Rio, mas que traz de volta o dinheiro para o investidor através da rentabilidade da carteira e retorno para essa comunidade carioca, através de geração de emprego, atração de talentos e pagamento de impostos locais”, diz Peres.

Fonte: Valor Econômico

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