Rafael Salazar é CEO da Gelt Giro, uma fintech com foco na transferência de valor entre a Europa e países da América Latina, mentor de startups e professor de MBA sobre o tema. Ele, que também já dirigiu uma incubadora da Espanha no Vale do Silício e foi diretor na Mapfre, deixou dicas valiosas, durante o  Whow! Festival de Inovação 2020, para quem quer inovar, mostrando perspectivas de inovação para o mundo pós-pandemia.  

“Se você vai empreender, você não deveria focar nas tendências atuais, deveria analisar as tendências do futuro.” diz o empreendedor ao compartilhar um pouco da sua experiência de mais de 15 anos no mundo da gestão e inovação. 

Mudanças deixadas pela pandemia

Desde o início de 2020, o mundo se viu transtornado por conta da covid-19 e as empresas encararam um cenário desafiador ao perceberem a necessidade de acelerarem os planos de digitalização, que eram esperados em alguns anos, mas tiveram que ser implantados em poucos meses. Isso se deu, desde novas formas de oferecer serviços aos consumidores, até a forma de trabalhar de forma remota, fazendo tudo de forma digital. 

Durante este período foi possível notar uma tendência na simplificação da oferta de serviços. As pessoas passaram a buscar por serviços que facilitam o seu dia a dia e, principalmente, que fossem úteis. Nesse cenário, surgiu o conceito de Rebundling, conforme explica Rafael: “A ideia é pegar um serviço que é complexo e despedaça-lo. Esses pedaços são serviços menores, diferentes uns dos outros. Você pega alguns deles como quebra-cabeças, e cria uma proposta para o cliente.”

O empreendedor, junto com a sua consultoria, propôs 10 ideias para inovar no pós-pandemia. Confira: 

1.Economia sem contato

“De repente, a mobilidade estava restrita apenas aos serviços essenciais, com restrições. Neste cenário, tinha-se dois públicos: os que migrariam de forma natural para o digital e aqueles que se viam obrigados a migrar, mas não estavam familiarizados.

E assim, surgiu uma oportunidade de mercado, focamos na questão de movimentação financeira e tentamos digitalizar essa experiência. Focando em duas coisas: Como digitalizar transferências internacionais de dinheiro e como ajudar aquele que não tem cartão de crédito a comprar digitalmente. Assim, surgiu a ideia de transformar o cash-in, o dinheiro em cédula, em saldo digital.

Você poderia ir ao supermercado ou farmácia, na Espanha, e pagar com seu saldo digital, além de transferir dinheiro para países como Brasil, Colômbia e México, nos locais permitidos”, conta Rafael.

2.Fortalecimento do governo

Com a pandemia, os governos passaram a ter mais poder na movimentação da população, por isso as pessoas se viam obrigadas a permanecer em casa, esta foi uma oportunidade de oferecer novos serviços para os consumidores. Assim como na Espanha, no Brasil também foi possível observar este movimento, ratificando a ideia de que o caminho é enxergar a adversidade como uma oportunidade de empreender e conquistar mais consumidores.

3.Reindustrialização

Com a covid-19, foi possível notar a fragilidade da maioria dos países em relação a produção de dispositivos médicos, a produção estava centralizada em alguns poucos países. A partir dessa situação foi possível notar que havia um gargalo e que havia espaço para inovar e empreender, por meio de pesquisas e encontrar soluções locais para as necessidades do momento. 

4.Desglobalização e protecionismo

Sabemos de todos os benefícios de uma sociedade globalizada, mas em meio a pandemia, vimos os países fechando suas fronteiras e dando preferência para produtores locais, a fim de diminuir os riscos de contaminação. Fazendo assim, surgir a oportunidade do “made in” o que provoca um envolvimento emocional do consumidor, durante a experiência de compra. Ou seja, ele dará preferência para produtos que tenham origem nacional.

5.Economia prateada

Assim como o nome sugere, esta tendência é voltada ao público com 60 anos ou mais. Houve uma comoção ao ver este público sendo mais vulnerável ao contágio e fez a população refletir sobre essa faixa etária, já que as expectativas de vida têm sido cada vez mais altas. E durante esse cenário, foi observada a necessidade de dar mais suporte para dispositivos digitais que sejam acessíveis para essa população que não está habituada a utilizar esse meio com frequência, tornando essas plataformas user friendly. 

6.Liquidez do dinheiro

Com menos pessoas circulando, para que a economia não parasse de vez, os governos viram a necessidade de oferecer incentivos para manter a economia viva. Com isso, surge a oportunidade de alavancar a digitalização de produtos e recriar coisas relacionadas ao dinheiro, como moedas digitais, formas de pagamento digitais e etc. Assim, seguindo a tendência de digitalização sem contato físico.

7.Liderança mundial

Esse novo cenário trouxe a oportunidade de desenvolver novas cadeias de mantimentos, acesso a fundos públicos para o desenvolvimento de novas tecnologias, conexão com produtores de baixo custo com grande capacidade de produção e assim, surgiu a oportunidade de fazer esta ponte entre o produtor e as necessidades do consumidor, para entregar uma experiência de qualidade, por meio de network, diminuindo custos por meio dessas conexões.

8.Prioridades humanas

Em meio ao novo coronavírus, nos vimos vulneráveis, frágeis e tendo que ressignificar as interações pessoais. A partir daí, surge a oportunidade de tornar a digitalização um processo humanizado e acessível à todos. Como o acesso à educação online, a fim de promover equidade social.

9.Economia com propósito

Uma tendência crescente é a busca por propósito. Se antes, um fator determinante na hora da compra era o preço, agora é o propósito da empresa. Há uma preocupação em entender se os valores da empresa condizem com os seus.

E durante a pandemia esta percepção ficou ainda mais latente, empresas que ajudaram a população com soluções para este momento de crise, conquistaram a admiração e o respeito dos consumidores. “Não é mais sobre o produto, é sobre o propósito do seu produto”, descreve o empreendedor espanhol.

10.Desconfiança e racionalidade

Aqui as oportunidades surgem de forma mais clara, como criar ecossistemas, estar aberto a inovação, aceitar a colaboração de diferentes iniciativas, diferentes países, governos, sociedades, etc. Enfim, estar aberto ao novo e o que isso pode gerar de benefícios para o seu negócio.

“A mensagem é que precisamos criar novas soluções, sermos ágeis, rápidos e adaptáveis. Precisamos ouvir nossos consumidores e ter empatia por eles.”

Rafael Salazar, CEO da Gelt Giro

Com isso, a lição que ele deixa, para o mundo pós pandemia, é que mais do que nunca, será necessário entender não só as necessidades do consumidor, mas o contexto social e econômico do momento, para oferecer produtos e serviços que ofereçam um propósito único.  

Fonte: Wow!

O post 10 dicas para inovar no pós-pandemia apareceu primeiro em OasisLab.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *