O ano de 2020 mal havia começado quando o Brasil ganhou seu 11º unicórnio. A startup Loft atingiu valor de mercado de US$ 1 bilhão ao receber um aporte de US$ 175 milhões dos fundos Andreessen Horowitz, Fifth Wall Ventures e Vulcan Capital. A novidade, revelada com exclusividade por Época NEGÓCIOS, chegava após um ano promissor para o ecossistema. O ano de 2019 trouxe cinco novos unicórnios e foi marcado pela investida de fundos internacionais no país.

Os meses seguintes, porém, seriam completamente atípicos. A pandemia pôs em xeque não apenas nossa saúde, mas também o mundo como conhecíamos. Empresas foram obrigadas a repensar seus produtos, serviços e modelos de trabalho. Com as startups – e os unicórnios – não foi diferente. Mesmo com a tecnologia a seu favor, alguns negócios foram fortemente impactados e tiveram de ser ágeis para pivotar.

Outros viveram uma onda de crescimento. Foi o caso da VTex, o 12º unicórnio brasileiro. Até setembro, quando anunciou o aporte de US$ 225 milhões que a alçaria a esse posto, a plataforma de e-commerce havia registrado crescimento de 98%. O desempenho atraiu o olhar de investidores, resultando na rodada com Tiger Global Management, Lone Pine Capital, Softbank e Constellation.

Neste mês, a Creditas entrou para o time, após captar uma rodada de US$ 255 milhões liderada pelo fundo LGT Lightstone. Ainda faltam alguns dias para 2021, e poucas coisas parecem impossíveis diante de tudo o que vimos neste ano. Mas, ao que parece, o Brasil terminará o ano com três novos unicórnios – e alguns outros feitos dignos de nota.

Até novembro, as startups brasileiras receberam US$ 2,87 bilhões em investimentos. Foram 426 aportes, segundo dados do Distrito Dataminer. No mesmo período de 2019, foram 356 rodadas e um total de US$ 2,78 bilhões. Também tivemos um recorde de 143 fusões e aquisições até o último mês, contra 63 no ano passado. E alguns mercados já despontam como os potenciais celeiros dos próximos unicórnios.

Resiliência e agilidade
2020 também foi um ano decisivo para as startups que já tinham um valuation bilionário. Ter dinheiro em caixa foi uma vantagem em relação às empresas menos capitalizadas. Mas só isso não garantiria a resiliência necessária para enfrentar a turbulência. “Foi um impacto muito mais setorizado. Alguns tiveram crises mais específicas, independentemente de serem startups, unicórnios ou grandes corporações”, aponta Renata Zanuto, co-head do Cubo Itaú.

O Gympass é um grande exemplo. Com as academias fechadas, a startup precisou passar por uma reestruturação que envolveu o corte de ao menos 30% de sua equipe. Também acelerou o desenvolvimento de uma plataforma online de exercícios e bem-estar. Além de fortalecer a própria operação, seu desafio era digitalizar as academias e os profissionais parceiros. O iFood teve uma missão semelhante em relação aos restaurantes, embora a demanda por seus serviços tenha crescido.

o iFood não foi o único a ver seu mercado se expandir. Entre abril e maio, o ‘decacórnio’ Nubank registrou o maior fluxo de depósitos na história de sua conta digital. Ao longo do ano, realizou três aquisições, incluindo a da corretora Easynvest. A Loft foi outra que saiu às compras: adquiriu a startup de aluguel de apartamentos Uotel e a fintech Invest Mais. Puxada pela expansão no mercado de games, a Wildlife também teve um ano de crescimento. Em agosto, recebeu uma rodada de US$ 120 milhões que elevou seu valor de mercado aos US$ 3 bilhões.

Entre mercados e modelos de negócios distintos, segundo Renata Zanuto, um fator foi comum a essas startups – em especial àquelas que se sobressaíram aos impactos de seus mercados. “Os unicórnios e seus fundadores têm agilidade para fazer mudanças e pivotar modelos, produtos e modelos de entrega. Essa agilidade os faz se transformarem tão rápido”, diz. Conhecer muito bem os clientes e suas mudanças de comportamento foi outro fator mais crucial neste ano, segundo ela.

De olho no futuro
A crise não parou a fase de amadurecimento do ecossistema. Pelo contrário: consolidou e acelerou tendências que abrem espaço para startups e novos unicórnios, como a telemedicina e os novos modelos de educação. “2020 tem surpreendido positivamente”, avalia diz Michael Nicklas, managing partner do Valor Capital Group. No portfólio do fundo estão nomes como Loft e Gympass. “Óbvio que algumas empresas apanharam bastante. Mas temos visto uma aceleração da adoção de ferramentas digitais”, diz.

Outro fator favorece essa continuidade, segundo ele: a participação de fundadores experientes no mercado. “Temos empreendedores com experiência de ciclo completo, da fundação à saída, voltando ao ecossistema capitalizados”, diz Nicklas, citando como exemplo Paulo Veras, fundador da 99 e investidor de empresas como CargoX e Sami. O movimento também chama a atenção de Renata Zanuto.

O apetite de grandes empresas pelas startups é outro fator que colabora para atrair investidores. As ambições internacionais de algumas startups, também. “O mercado brasileiro já é muito grande. Elas conseguem ter escala no país e mesmo assim começam a expandir para outros”, diz a co-head. “Isso chama a atenção de investidores internacionais e traz uma visão global do ecossistema.”

Para 2021, ela aposta em aportes ainda maiores. Veremos novos unicórnios surgindo, mas ainda mais startups com cheques e valuation altos. Alguns segmentos merecem atenção especial: startups de saúde, educação e fintechs. Como consequência da pandemia, modelos voltados à flexibilidade da rotina, como delivery, e a tecnologias que dispensem contato, como reconhecimento facial, também têm vantagens.

Nicklas cita outros três segmentos relevantes: mobilidade, logística e agtech. Mas faz coro a Renata Zanuto em dois palpites. “Quase todos os setores têm capacidade de sustentar um unicórnio. Com certeza saúde é um em que vimos muita coisa acontecer recentemente. Educação é outro, pela escalabilidade dos modelos”, afirma. Uma das promessas para um futuro breve é a edtech Descomplica.

Fonte: Exame

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