Para Sebastian Klauke, do board do Otto Group, empresas vencedoras na transformação digital fazem um pouco das duas coisas

 

A necessidade de realizar a transformação digital dos negócios levou muitas empresas a um falso dilema: ser resiliente e adaptar sua estrutura aos novos tempos ou partir para uma disrupção de seus negócios? Para Sebastian Klauke, membro do Conselho de Administração do grupo varejista alemão Otto, a resposta é “siga os dois caminhos ao mesmo tempo”.

Com um olhar de longo prazo para a transformação dos negócios, a empresa, nascida em 1949, é hoje um gigante que fatura 14,3 bilhões de euros anualmente com 30 empresas na Europa, Américas e Ásia. Com 52 mil colaboradores e controle acionário da família fundadora, a companhia é uma das maiores varejistas online do mundo, com vendas anuais de 8,1 bilhões de euros.

A visão de longo prazo foi o primeiro aspecto ressaltado por Sebastian Klauke em sua apresentação no Web Summit 2020, que acontece online nesta semana. “Em 1997, o Otto Group iniciou suas operações online. O momento estava longe de ser perfeito, a infraestrutura ainda era bem precária. Mas começar cedo permitiu que a empresa aprendesse com seus erros e construísse o conhecimento necessário”, afirma.

Ingrediente #1 para a transformação digital: comece cedo!

Para Klauke, é impossível saber hoje o que terá sucesso no futuro. Quem começa cedo aprende mais ao longo do tempo e constrói um repertório de soluções para encontrar alternativas para o sucesso.

Mas não basta começar cedo: é preciso caprichar na execução. E, para isso, é importante contar com os sistemas e a estrutura legada. “É tentador se livrar de tudo o que funciona hoje, mas já não é estado-da-arte. As startups podem fazer isso, porque não têm nada a perder. Empresas estabelecidas, porém, precisam continuar otimizando seus sistemas, por uma questão de viabilidade financeira”, analisa o executivo.

Ingrediente #2 para a transformação digital: execute bem.

Segundo ele, o ideal é continuar otimizando o uso dos atuais sistemas, mas com um olhar crítico. “Mantenha o que continua contribuindo para o sucesso do seu negócio e substitua aquilo que está emperrando seu crescimento”, afirma.

O terceiro aspecto da transformação digital dos negócios é encontrar novas fontes de geração de valor. “Você precisa trazer novos modelos de negócios para continuar sendo relevante”, afirma. Há seis anos, por exemplo, o Otto Group fundou a About You, uma startup de moda que hoje é um dos ecommerces de maior crescimento no mercado europeu. “Ela é focada em trazer novas referências e personalizar o relacionamento com as clientes, com enorme sucesso”, diz Klauke.

Essa é mais a exceção do que a regra, porém. “A maioria das empresas falha miseravelmente em inovações disruptivas. Isso acontece porque os fatores que levam ao sucesso na criação de novos valores são completamente diferentes daqueles que otimizam bem o legado”, alerta.

Ingrediente #3 para a transformação digital: tenha novas fontes de geração de valor.

Quando se trata de novas fontes de valor, o caminho é tortuoso, envolvendo desvios, falhas e mudanças de rumo. “Se a cultura corporativa não se dá bem com esse ambiente, é uma boa ideia não fazer isso sozinho, e sim buscar conexões com hubs de inovação e parcerias com startups”, recomenda. Na última década, o Otto Group ajudou a levantar dois fundos de venture capital, em um investimento que tem trazido excelentes resultados tanto do ponto de vista financeiro quanto da polinização da empresa com novas ideias.

Para Klauke, na discussão entre resiliência e disrupção, a relevância no mundo digital vem de aproveitar o melhor desses dois mundos. “O equilíbrio é que tem feito a diferença para nós. Isso exige muito investimento, persistência e uma transformação cultural constante, mas é uma das melhores coisas que poderíamos ter feito pelo futuro do nosso negócio”, completa.

 

Confira a cobertura completa do Web Summit 2020 no site do OASISLAB.

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