Palestrantes do Web Summit 2020 criticam posturas anticompetitivas das gigantes de tecnologia

 

Ao mesmo tempo em que o Web Summit 2020 apresenta cases de inovação, celebra a presença de mais de 2.000 startups e se mostra um caldeirão fervilhante de ideias, ele faz o contraponto apresentando visões críticas sobre o papel da tecnologia na vida das pessoas. Às vezes, as críticas vêm de dentro da indústria de TI, às vezes vêm das Nações Unidas. Com uma postura madura, o evento mostra os avanços e também as ameaças.

No campo das ameaças, Margrethe Vestager, vice-presidente da Comissão Europeia para questões digitais, fez como em 2019: bateu forte nas big tech. “Práticas monopolistas sufocam a inovação. Não são prejudiciais somente aos consumidores, mas a todas as empresas que não são as líderes de mercado”, afirma.

Comentando a acusação feita à Amazon de que a empresa usa os dados de forma desleal para aumentar sua competitividade no varejo, Vestager disse que o acesso às informações dos sellers de seu marketplace faz com que a Amazon tenha uma condição diferenciada dos concorrentes. A Comissão Europeia tem buscado formas de garantir que os usuários dos marketplaces (tanto sellers quanto consumidores) também tenham acesso aos dados.

Por outro lado, ela acredita que desmembrar qualquer empresa em partes menores é uma medida radical demais a ser tomada. “Isso é algo muito profundo, que deve ser visto como a última opção”, afirma. Vestager acredita que a solução deve passar por leis abrangentes e a definição de boas práticas para que todo o ecossistema funcione melhor.

 

Regulamentação? Acho que não…

Em outra apresentação no evento, Nikolay Storonsky, CEO da Revolut, disse que é muito difícil que o mundo ocidental replique o sucesso dos superapps chineses. “Há muito menos competição no Ocidente, e ela vem na forma de bancos, que têm uma estrutura atrasada. Em alguns casos, instituições funcionam praticamente da mesma forma há um século, sem necessidade de mudar”, diz.

Esse seria, então, um prato cheio para a inovação, não? Depende. As fintechs estão aumentando a competição com os bancos, mas seu poder é relativamente limitado. Storonsky não acredita que as big tech farão uma grande disrupção no setor financeiro. “As big tech têm muito talento, recursos e capital, além de uma base de bilhões de consumidores cujos dados elas têm e cujos comportamentos já conhecem. Acho que a única razão pela qual elas não entraram com força nesse mercado é porque não querem estar sujeitas à regulamentação dos governos”, provoca.

Como resultado, a inovação no setor financeiro caminha mais devagar, já que as iniciativas acabam tendo de passar pelos bancos e serem regulamentadas antes de irem a público. É o oposto do que acontece na China, em que os superapps se beneficiaram de um ambiente desregulamentado para ocupar espaços.

 

Confira a cobertura completa do Web Summit 2020 no site do OASISLAB.

 

O post Big techs na linha de tiro apareceu primeiro em OasisLab.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.