CEO da Microsoft diz que fake news chegaram a um ponto que passam a exigir esforço concentrado de empresas e governos para serem combatidas

 

Pela primeira vez em décadas, as democracias estão em desvantagem em relação às ondas de fake news. Boatos, informações plantadas e notícias falsas sempre existiram, mas nos últimos anos, com o desenvolvimento da Inteligência Artificial, se tornaram uma praga que ameaça a legitimidade de governos em todo o mundo.

Para Brad Smith, CEO da Microsoft, a natureza da evolução tecnológica e da capacidade dos governos em reagir aos desafios cria essa desvantagem. E a solução depende de um esforço conjunto de empresas e governos. “Empresas de tecnologia, como a Microsoft, precisam fazer mais para combater esse problema”, disse ele, durante apresentação no Web Summit 2020, que acontece nesta semana online.

E engana-se quem acredita que a desvantagem dos governos em relação a ameaças cibernéticas, crimes virtuais e fake news tem data para acabar. “É um problema para o resto de nossas vidas, é parte da luta que a sociedade precisará travar daqui em diante”, afirma. Para ele, a saída depende da cooperação das empresas de tecnologia com os governos, criando mecanismos de combate às fraudes e estimulando a criação de leis que garantam a privacidade da informação. “Vários países já possuem leis nesse sentido e acredito que veremos em 2021 uma lei nacional americana. E já é preciso avançar para criar parâmetros de uso de reconhecimento facial, que levanta pontos delicados em uma perspectiva ética”, avalia Smith.

A solução para isso também depende da educação da população, inclusive para o uso de dados. “Se não aprendermos a analisar os dados disponíveis, continuaremos a ver muita opinião e pouca informação. É preciso ter fontes confiáveis e acionáveis de dados para uso em todas as instâncias”, diz o executivo.

Ele cita o atual governador de Nova York, Andrew Cuomo, como um bom modelo de uso de dados para políticas públicas. “Sua gestão reduz o achismo e toma decisões baseadas em fatos. Isso diminui o risco das fake news e da manipulação da opinião pública”, comenta.

Smith diz que a Microsoft tem tentado fazer sua parte, trabalhando, por exemplo, com autoridades de saúde durante a pandemia para fornecer e organizar dados de forma que possam ser usados. Para ele, parcerias de empresas de tecnologia com órgãos públicos são uma tendência, pois viabilizam o uso estruturado e ético dos dados e aumentam a digitalização da população. “Temos feito várias iniciativas em parceria com governos em diversos países para diminuir os gaps educacionais e aumentar o acesso à informação. Somente ações em conjunto poderão superar os desafios que enfrentaremos nesta década”, completa.

 

Confira a cobertura completa do Web Summit 2020 no site do OASISLAB.

 

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